

Prefeitura pede posse do Autódromo de Campo Grande para viabilizar complexo de eventos
Município afirma que contrato de concessão já terminou e aponta abandono do espaço; pedido aguarda análise da Justiça
A Prefeitura de Campo Grande pediu à Justiça a devolução do Autódromo Internacional de Campo Grande ao Município e a autorização para assumir oficialmente a posse do imóvel. O pedido foi apresentado no processo que envolve o Município e a empresa Autódromo Internacional de Campo Grande Ltda., atualmente vinculada à massa falida.
A manifestação ocorre após o encerramento das possibilidades de recurso que vinham impedindo o avanço da execução de uma decisão judicial relacionada ao contrato de concessão do espaço.
Segundo a Prefeitura, o autódromo permanece sob posse privada de forma indevida, apesar de decisão judicial definitiva ter determinado a rescisão do contrato por culpa exclusiva da concessionária. O Município também sustenta que o prazo de 20 anos previsto no contrato já foi encerrado, não havendo justificativa para a manutenção da posse pela empresa.
O pedido foi protocolado em maio de 2026 e ainda aguarda análise da Justiça. Antes de decidir, o juízo deverá ouvir a parte relacionada ao autódromo.
Contrato previa transferência ao Município
O contrato de concessão foi firmado em 14 de abril de 1998 e estabelecia prazo de 20 anos. Conforme a Prefeitura, ao final desse período o Autódromo Internacional de Campo Grande deveria passar ao patrimônio municipal.
A Prefeitura também lembra que o contrato foi rescindido judicialmente por descumprimento das obrigações da concessionária. A decisão transitou em julgado em 13 de janeiro de 2009.
A empresa havia ingressado com uma ação buscando a rescisão do contrato e o pagamento de indenização por perdas e danos. O pedido foi rejeitado pela Justiça. Em contrapartida, a reconvenção apresentada pelo Município foi acolhida diante do descumprimento de obrigações contratuais.
Entre as irregularidades apontadas estavam o não pagamento de valores previstos sobre a receita obtida com a exploração do espaço e o não recolhimento de tributos.
Último recurso foi rejeitado pelo STJ
A disputa ganhou novo capítulo após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitar, em junho deste ano, o último recurso apresentado pela empresa.
Por unanimidade, a Corte Especial negou agravo interno contra decisão que havia impedido o processamento de Recurso Extraordinário apresentado pelo autódromo. O julgamento ocorreu entre os dias 17 e 23 de junho, com publicação em 29 de junho de 2026.
Para a Prefeitura, com o encerramento das possibilidades recursais e a ausência de efeito suspensivo que impeça o cumprimento da decisão, não haveria mais razão para manter paralisadas as medidas de execução.
O Município pede, portanto, o prosseguimento do processo, com a expedição de ofício ao Cartório de Registro de Imóveis, a incorporação definitiva do imóvel ao patrimônio público e a imissão da Prefeitura na posse do autódromo.
Complexo de eventos
A retomada do espaço é defendida pela Prefeitura como uma etapa necessária para colocar em prática projetos de revitalização e transformação da área em um complexo voltado a eventos.
O Município afirma que o local se encontra em situação de abandono e que a retomada da posse permitirá definir uma nova destinação para a área, com possibilidade de utilização para eventos esportivos, culturais e de entretenimento.
A argumentação municipal também cita decisão anterior do próprio STJ, na Reclamação nº 43.585/MS. Na ocasião, o ministro Herman Benjamin apontou que a rescisão do contrato implicava a incorporação do imóvel ao patrimônio público e destacou que a área onde funciona o autódromo já deveria estar sob posse do Município.
Esse entendimento foi mantido no julgamento mais recente. O STJ esclareceu que decisão anterior havia suspendido apenas a implementação imediata de determinadas medidas executivas, permitindo que a parte executada apresentasse defesa no cumprimento da sentença.
Segundo a Corte, a suspensão não significou a paralisação de toda a execução judicial.
Agora, cabe à Justiça de Campo Grande analisar o pedido da Prefeitura e decidir se o Município poderá assumir formalmente a posse do Autódromo Internacional de Campo Grande.
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