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Sob efeito de drogas, motociclista indicou jovem como alvo de execução por engano

Vitor Orsini, de 19 anos, foi assassinado no lugar de um homem de 39 anos que era o verdadeiro alvo da emboscada; polícia já prendeu três envolvidos

26/08/2026 às 18h06
Por: Leandro Colman
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Sob efeito de drogas, motociclista indicou jovem como alvo de execução por engano

O assassinato de Vitor Orsini, de 19 anos, em Dourados, aconteceu após uma grave confusão dos executores. Segundo a Polícia Civil, o motociclista que conduzia a Honda Biz utilizada no crime apontou o jovem como sendo o homem que deveria ser morto. O verdadeiro alvo tinha 39 anos, duas décadas a mais que a vítima.

Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, estava sob efeito de drogas quando confirmou ao atirador Denis Barbosa de Melo, de 22 anos, que Vitor era a pessoa procurada.

As informações foram apresentadas pelo delegado Lucas Albé Veppo, chefe do SIG (Setor de Investigações Gerais) da Polícia Civil, durante entrevista coletiva nesta quarta-feira (26).

De acordo com o delegado, Alexsander admitiu em depoimento que estava sob efeito de drogas no momento do crime. Tanto ele quanto Denis afirmaram que não conheciam pessoalmente o verdadeiro alvo da execução.

A polícia confirmou que Vitor foi morto por engano.

Emboscada tinha outro alvo

O alvo original da execução seria um homem identificado como Adriano, de 39 anos, morador de Dourados e apontado como envolvido com o tráfico de drogas.

A emboscada foi planejada a partir de uma falsa negociação de veículo. Adriano deveria comparecer a uma loja de carros às 14h para supostamente avaliar um automóvel, mas não apareceu.

Naquele mesmo horário, Vitor estava no estabelecimento e acabou sendo confundido com o homem que os criminosos procuravam.

Segundo a investigação, os próprios contratantes informaram posteriormente aos executores que a pessoa assassinada não era o alvo planejado.

Suposta dívida de R$ 300 mil

Adriano foi ouvido pela polícia e confirmou que deveria estar na loja no horário marcado, mas acabou não comparecendo porque acompanhava a esposa em uma compra de materiais de construção.

Ele afirmou não saber que havia um plano para matá-lo, mas apontou como possível motivação uma dívida de aproximadamente R$ 300 mil.

Segundo o relato apresentado à polícia, Adriano teria emprestado o dinheiro ao empresário Claudio Henrique de Arruda, de 43 anos. A investigação ainda busca esclarecer se a dívida estaria relacionada ao tráfico de drogas.

Adriano e Claudio já haviam sido presos juntos em 2013, em Ponta Porã, por envolvimento em crime.

Empresário teria planejado a armadilha

Claudio Henrique de Arruda foi preso na sexta-feira (21), após a Polícia Civil encontrar conversas relacionadas ao crime no celular de Vitor.

Dono de uma academia de musculação em Ponta Porã, ele é apontado pela investigação como responsável por preparar a emboscada.

Conforme a polícia, Claudio teria conversado com Vitor sobre o interesse em comprar um veículo e utilizado a negociação como forma de atrair Adriano até a loja.

No interrogatório, Claudio optou por permanecer em silêncio, exercendo o direito constitucional de não responder às perguntas.

Pistoleiros descobriram o erro depois do crime

Em depoimento, Denis e Alexsander relataram que só souberam que haviam matado a pessoa errada depois da execução.

A polícia prendeu Denis no dia 11, no distrito de Nova Itamarati, e localizou Alexsander em Ponta Porã no dia 17.

Os dois teriam sido contratados por Jeferson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23 anos. Ambos estão foragidos e tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Segundo o delegado, Jeferson seria proprietário de uma BMW X5 branca utilizada para transportar os executores de Ponta Porã até Dourados.

Depois do assassinato, Jeferson e Marcos teriam ido até a garagem para verificar se o alvo havia sido morto. Foi nesse momento que descobriram que Vitor havia sido executado por engano.

A presença do veículo na região foi confirmada por meio de um trabalho conjunto entre investigadores e o setor de inteligência da Delegacia da PRF (Polícia Rodoviária Federal).

Adolescente também é investigado

As investigações apontaram ainda a participação de um adolescente de 17 anos, apreendido no dia 11.

Segundo a Polícia Civil, ele teria furtado a motocicleta usada no assassinato e ajudado os executores a encontrar o endereço da loja onde Vitor foi morto.

O adolescente está internado em uma Unei (Unidade Educacional de Internação).

Claudio Arruda, Denis Barbosa de Melo e Alexsander Gonçalves Borges estão presos na PED (Penitenciária Estadual de Dourados).

O delegado informou que Denis é natural de Brasília, mas estava havia alguns meses na região de fronteira com o Paraguai. Conforme a investigação, ele teria acumulado dívidas com traficantes e aceitado participar da execução para quitar esses débitos.

Polícia continua investigando

Embora o inquérito esteja próximo da conclusão, a Polícia Civil informou que as investigações continuam.

A intenção é identificar possíveis outros participantes e analisar novas informações que possam surgir após a quebra do sigilo do celular de Claudio Arruda.

Para o delegado Lucas Albé Veppo, não restam dúvidas de que Vitor Orsini foi vítima de um erro durante a execução planejada contra outra pessoa.

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