
O assassinato de Vitor Orsini, de 19 anos, em Dourados, aconteceu após uma grave confusão dos executores. Segundo a Polícia Civil, o motociclista que conduzia a Honda Biz utilizada no crime apontou o jovem como sendo o homem que deveria ser morto. O verdadeiro alvo tinha 39 anos, duas décadas a mais que a vítima.
Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, estava sob efeito de drogas quando confirmou ao atirador Denis Barbosa de Melo, de 22 anos, que Vitor era a pessoa procurada.
As informações foram apresentadas pelo delegado Lucas Albé Veppo, chefe do SIG (Setor de Investigações Gerais) da Polícia Civil, durante entrevista coletiva nesta quarta-feira (26).
De acordo com o delegado, Alexsander admitiu em depoimento que estava sob efeito de drogas no momento do crime. Tanto ele quanto Denis afirmaram que não conheciam pessoalmente o verdadeiro alvo da execução.
A polícia confirmou que Vitor foi morto por engano.
O alvo original da execução seria um homem identificado como Adriano, de 39 anos, morador de Dourados e apontado como envolvido com o tráfico de drogas.
A emboscada foi planejada a partir de uma falsa negociação de veículo. Adriano deveria comparecer a uma loja de carros às 14h para supostamente avaliar um automóvel, mas não apareceu.
Naquele mesmo horário, Vitor estava no estabelecimento e acabou sendo confundido com o homem que os criminosos procuravam.
Segundo a investigação, os próprios contratantes informaram posteriormente aos executores que a pessoa assassinada não era o alvo planejado.
Adriano foi ouvido pela polícia e confirmou que deveria estar na loja no horário marcado, mas acabou não comparecendo porque acompanhava a esposa em uma compra de materiais de construção.
Ele afirmou não saber que havia um plano para matá-lo, mas apontou como possível motivação uma dívida de aproximadamente R$ 300 mil.
Segundo o relato apresentado à polícia, Adriano teria emprestado o dinheiro ao empresário Claudio Henrique de Arruda, de 43 anos. A investigação ainda busca esclarecer se a dívida estaria relacionada ao tráfico de drogas.
Adriano e Claudio já haviam sido presos juntos em 2013, em Ponta Porã, por envolvimento em crime.
Claudio Henrique de Arruda foi preso na sexta-feira (21), após a Polícia Civil encontrar conversas relacionadas ao crime no celular de Vitor.
Dono de uma academia de musculação em Ponta Porã, ele é apontado pela investigação como responsável por preparar a emboscada.
Conforme a polícia, Claudio teria conversado com Vitor sobre o interesse em comprar um veículo e utilizado a negociação como forma de atrair Adriano até a loja.
No interrogatório, Claudio optou por permanecer em silêncio, exercendo o direito constitucional de não responder às perguntas.
Em depoimento, Denis e Alexsander relataram que só souberam que haviam matado a pessoa errada depois da execução.
A polícia prendeu Denis no dia 11, no distrito de Nova Itamarati, e localizou Alexsander em Ponta Porã no dia 17.
Os dois teriam sido contratados por Jeferson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23 anos. Ambos estão foragidos e tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça.
Segundo o delegado, Jeferson seria proprietário de uma BMW X5 branca utilizada para transportar os executores de Ponta Porã até Dourados.
Depois do assassinato, Jeferson e Marcos teriam ido até a garagem para verificar se o alvo havia sido morto. Foi nesse momento que descobriram que Vitor havia sido executado por engano.
A presença do veículo na região foi confirmada por meio de um trabalho conjunto entre investigadores e o setor de inteligência da Delegacia da PRF (Polícia Rodoviária Federal).
As investigações apontaram ainda a participação de um adolescente de 17 anos, apreendido no dia 11.
Segundo a Polícia Civil, ele teria furtado a motocicleta usada no assassinato e ajudado os executores a encontrar o endereço da loja onde Vitor foi morto.
O adolescente está internado em uma Unei (Unidade Educacional de Internação).
Claudio Arruda, Denis Barbosa de Melo e Alexsander Gonçalves Borges estão presos na PED (Penitenciária Estadual de Dourados).
O delegado informou que Denis é natural de Brasília, mas estava havia alguns meses na região de fronteira com o Paraguai. Conforme a investigação, ele teria acumulado dívidas com traficantes e aceitado participar da execução para quitar esses débitos.
Embora o inquérito esteja próximo da conclusão, a Polícia Civil informou que as investigações continuam.
A intenção é identificar possíveis outros participantes e analisar novas informações que possam surgir após a quebra do sigilo do celular de Claudio Arruda.
Para o delegado Lucas Albé Veppo, não restam dúvidas de que Vitor Orsini foi vítima de um erro durante a execução planejada contra outra pessoa.
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