A auxiliar de escritório Sirley Costa dos Anjos, de 48 anos, passou cerca de 20 dias convivendo com fortes dores após sofrer um acidente de motocicleta e só posteriormente descobriu a extensão das lesões: seis costelas fraturadas e uma perfuração no pulmão.
O acidente aconteceu depois que ela passou de moto por um buraco na Avenida Vereador Thirson de Almeida, em Campo Grande.
Durante o período, Sirley procurou atendimento médico diversas vezes. Ela passou por diferentes unidades da rede pública, realizou consultas particulares e precisou pagar por exames para conseguir identificar as lesões.
Segundo a paciente, os gastos com exames, consultas e medicamentos ultrapassaram R$ 1 mil.
Primeiro atendimento
O acidente ocorreu em 15 de setembro. Sirley foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada para uma Unidade de Pronto Atendimento.
Na unidade, foi realizado um exame de raio-X. De acordo com o relato da paciente, ela foi informada de que não havia alterações significativas e recebeu medicação para dor, além de um atestado de três dias.
Mesmo com dificuldades para caminhar por causa da dor, ela voltou para casa.
“Entrei a primeira vez no consultório gemendo de dor, apertando o peito para aliviar, e ouvi que em três dias iria passar”, relatou.
Dor continuou e novo atendimento não identificou as fraturas
Como os sintomas persistiram, Sirley procurou outra unidade de atendimento.
Segundo ela, o médico avaliou novamente o raio-X e informou que não havia alterações aparentes.
A paciente recebeu, entretanto, a orientação de procurar um exame mais detalhado caso houvesse alguma lesão que não pudesse ser identificada pelo raio-X.
Diante da continuidade das dores, ela decidiu procurar atendimento particular.
Tomografia identificou quatro fraturas
Três dias depois do acidente, Sirley pagou R$ 330 por uma tomografia.
O exame apontou quatro costelas fraturadas, lesões que, segundo ela, não haviam sido identificadas anteriormente no raio-X.
A médica que analisou o exame recomendou que ela procurasse atendimento hospitalar imediatamente devido às alterações observadas.
Sirley então seguiu para a Santa Casa, levando as imagens do exame.
Segundo o relato da paciente, ela não conseguiu ser atendida naquele momento porque não possuía encaminhamento nem o laudo médico.
Sem conseguir atendimento, voltou para casa e passou o fim de semana sentindo dores.
Novo encaminhamento
Na manhã de 21 de setembro, Sirley levou os exames até uma unidade básica de saúde.
Com o laudo em mãos, recebeu encaminhamento para uma UPA.
Desta vez, segundo a paciente, o atendimento foi mais rápido. A médica solicitou uma vaga hospitalar e ela foi encaminhada novamente para a Santa Casa.
No hospital, uma nova tomografia confirmou as fraturas.
Segundo Sirley, os médicos informaram que as costelas não estavam desalinhadas e, por isso, ela recebeu alta e voltou para casa com orientação de repouso e novo atestado.
Especialistas identificaram problema no pulmão
As dores, porém, continuaram.
A paciente decidiu procurar um ortopedista em uma clínica particular. Durante a avaliação, o médico observou uma alteração em um dos pulmões e recomendou que ela também fosse examinada por um pneumologista.
O especialista confirmou a existência de uma perfuração pulmonar.
Sirley recebeu orientação para permanecer em acompanhamento e retornar para uma nova avaliação. Também foi recomendada uma avaliação com um cirurgião torácico para verificar a necessidade de algum procedimento.
Novo retorno ao atendimento
No dia 5 de outubro, a paciente voltou novamente à unidade de saúde em busca de atendimento.
Ela afirma que permaneceu aproximadamente seis horas aguardando e relatou na triagem que já havia sido diagnosticada com fraturas nas costelas.
Posteriormente, recebeu novo encaminhamento para a Santa Casa.
No hospital, uma nova tomografia, desta vez com contraste, revelou uma situação diferente da identificada anteriormente.
Segundo Sirley, o exame apontou que ela tinha seis costelas fraturadas, e não quatro, além da perfuração no pulmão.
O médico teria informado que a lesão pulmonar apresentava sinais de melhora e recomendou continuidade do repouso.
A paciente recebeu mais 14 dias de atestado.
Recuperação em casa
Sirley está se recuperando em casa, utilizando os medicamentos prescritos e evitando esforços físicos.
Ela afirma estar inconformada com o longo percurso até conseguir um diagnóstico completo para as lesões provocadas pelo acidente.
“Foi descaso total, uma falta de amor, falta de empatia. A vida não está além de nada. É um absurdo”, afirmou.
Secretaria de Saúde se manifesta
Questionada sobre o atendimento prestado à paciente, os protocolos adotados nos casos de acidentes e as despesas que ela teve na rede particular, a Secretaria Municipal de Saúde informou que não fornece informações individualizadas de pacientes, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A pasta afirmou ainda que os atendimentos, consultas e exames realizados na rede pública seguem os protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS), que estabelecem critérios de prioridade de acordo com a urgência e a gravidade de cada caso.
O relato da paciente e as manifestações apresentadas não representam, por si só, uma conclusão sobre eventual falha no atendimento. A avaliação de responsabilidades depende da análise dos prontuários, exames e demais documentos relacionados ao caso.