

Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, apontado pelas autoridades como integrante da cúpula do Comando Vermelho, é alvo atualmente de seis mandados de prisão registrados no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP).
As ordens foram expedidas entre junho de 2022 e maio de 2026. A mais recente foi emitida em 11 de maio deste ano.
Rabicó, que atualmente tem 62 anos, é apontado como uma das principais lideranças do tráfico de drogas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
O histórico recente de Rabicó inclui uma passagem pela Penitenciária Federal de Campo Grande, onde permaneceu entre 2016 e 2019.
Ele deixou a unidade prisional em novembro de 2019, após uma decisão judicial que permitiu que aguardasse em liberdade o julgamento de um recurso.
Na época, as condenações contra ele somavam 27 anos e três meses de prisão.
Após obter a liberdade, Rabicó dispensou o transporte que poderia ser disponibilizado pelo sistema penitenciário para levá-lo de volta ao Rio de Janeiro.
Em dezembro daquele ano, a decisão que permitia sua permanência em liberdade foi posteriormente revertida. Apesar disso, ele não retornou ao sistema prisional.
Além das acusações relacionadas ao tráfico de drogas, Rabicó é investigado por supostamente comandar uma estrutura voltada à lavagem de dinheiro.
A investigação aponta a utilização de operadores financeiros, empresas de fachada, ferros-velhos e contas de terceiros para movimentar recursos que, segundo as autoridades, teriam origem em atividades criminosas.
Quebras de sigilos autorizadas pela Justiça identificaram movimentações financeiras que teriam alcançado aproximadamente R$ 453 milhões entre 2020 e 2024.
Segundo a investigação, os valores estariam relacionados a recursos provenientes de atividades como tráfico de drogas, extorsões, comércio ilegal de armas e roubos, além de negócios ligados ao setor de reciclagem.
Entre os investigados está Alex Sandro Ferreira de Araújo, conhecido como “Tek”, apontado como um dos principais operadores financeiros ligados a Rabicó.
De acordo com a investigação, Tek teria declarado trabalhar como pescador, com renda mensal de aproximadamente R$ 984,84. Apesar disso, teria movimentado mais de R$ 73 milhões entre agosto de 2020 e setembro de 2024.
As autoridades também identificaram 136 depósitos fracionados realizados em diferentes cidades do Rio de Janeiro, além de aproximadamente R$ 16 milhões em transferências bancárias.
Ele é suspeito de utilizar empresas ligadas ao ramo de reciclagem para movimentar recursos e de receber orientações de Rabicó para efetuar pagamentos.
A apuração também alcançou Mato Grosso do Sul.
Em 29 de maio, uma mulher identificada como Bruna Paola Martins de Freitas, então com 33 anos, foi presa no bairro Moreninha IV, em Campo Grande, durante uma ação da Operação Contenção.
Antes da prisão, as contas bancárias dela haviam sido bloqueadas. Durante o cumprimento das ordens judiciais, os investigadores apreenderam um celular novo, enquanto o aparelho utilizado anteriormente não foi localizado.
A defesa contestou a prisão e negou que Bruna tivesse ligação com a organização criminosa.
Segundo o advogado Rodrigo Martins, a suspeita estaria relacionada principalmente a uma transferência de R$ 30 mil, recebida em 2022 de um homem identificado como Daniel, apontado pelas autoridades como integrante do grupo investigado no Rio de Janeiro.
A defesa afirmou que não havia conversas ou outros elementos que comprovassem vínculo da cliente com a organização criminosa e sustentou que a transferência poderia estar relacionada à atividade de compra e venda de carros e motocicletas.
A investigação também alcançou uma mulher apontada como atual companheira de Rabicó.
Segundo os investigadores, ela teria utilizado recursos provenientes do esquema investigado. Um dos pontos analisados foi a aquisição de veículos por meio de um suposto “laranja”, incluindo uma Fiat Toro que teria ficado à disposição da mulher.
Ela foi presa preventivamente durante a operação realizada em maio, mas posteriormente conseguiu a conversão da prisão para prisão domiciliar.
Com seis mandados de prisão registrados, Antônio Ilário Ferreira permanece procurado pelas autoridades.
As investigações continuam apurando a estrutura financeira atribuída ao grupo e a possível participação de outros envolvidos.
As acusações e suspeitas descritas na investigação ainda estão sujeitas à análise judicial. A existência de mandados de prisão ou de investigação não representa, por si só, condenação definitiva.
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