

Ozempic, Wegovy, Mounjaro: entenda as diferenças entre as “canetas para emagrecer”
Basta o assunto ser emagrecimento para nomes como Ozempic, Wegovy e Mounjaro surgirem nas conversas. As chamadas “canetas para emagrecer” se popularizaram nas redes sociais e nos consultórios, mas os medicamentos não são iguais e possuem indicações diferentes.
Enquanto alguns têm aprovação específica para o controle do peso em pacientes com obesidade ou sobrepeso, outros são destinados principalmente ao tratamento do diabetes tipo 2, embora também possam provocar perda de peso. Há ainda substâncias que seguem em fase experimental e não estão autorizadas para comercialização.
Por isso, a escolha do medicamento não deve ser feita apenas com base na marca ou nos resultados relatados por outras pessoas. O tratamento precisa ser individualizado, com indicação e acompanhamento médico.
Como funcionam?
Grande parte desses medicamentos atua em mecanismos hormonais relacionados à saciedade, ao apetite, ao esvaziamento do estômago e ao controle da glicose.
Entre os princípios ativos estão semaglutida, liraglutida, dulaglutida, exenatida e tirzepatida. Alguns atuam principalmente sobre o receptor de GLP-1, enquanto a tirzepatida age sobre os receptores de GIP e GLP-1.
Na prática, essas substâncias podem reduzir a fome e prolongar a sensação de saciedade. A resposta, porém, varia de pessoa para pessoa, assim como os efeitos colaterais, contraindicações e resultados.
Ozempic e Wegovy
Os dois medicamentos têm semaglutida como princípio ativo, mas possuem indicações diferentes.
O Ozempic é utilizado principalmente no tratamento do diabetes mellitus tipo 2. Embora possa provocar perda de peso, isso não significa que deva ser usado indiscriminadamente para emagrecimento.
Já o Wegovy possui indicação específica para controle do peso em determinados pacientes com obesidade ou sobrepeso, seguindo os critérios estabelecidos em bula.
A diferença mostra que medicamentos com o mesmo princípio ativo não necessariamente têm a mesma indicação ou devem ser utilizados da mesma maneira.
Mounjaro
O Mounjaro contém tirzepatida, substância que atua nos receptores de GIP e GLP-1.
Inicialmente registrado no Brasil para o tratamento do diabetes tipo 2, o medicamento recebeu, em 2025, nova indicação aprovada pela Anvisa para o controle crônico do peso em adultos que atendam aos critérios estabelecidos.
Poviztra e Ozivy
O Poviztra também é à base de semaglutida e possui indicação para o tratamento da obesidade. Alterações de dose, entretanto, devem seguir orientação médica e levar em conta as condições clínicas e a resposta de cada paciente.
Já o Ozivy, que chegou ao mercado brasileiro em 2026, é uma opção de semaglutida sintética aprovada pela Anvisa para o tratamento do diabetes tipo 2 em adultos. A indicação registrada não é simplesmente para emagrecimento.
Saxenda e Victoza
Os dois medicamentos utilizam liraglutida, mas também apresentam diferenças de indicação.
O Saxenda é voltado ao controle do peso em pacientes que atendam aos critérios médicos estabelecidos. Já o Victoza tem como principal indicação o tratamento do diabetes tipo 2.
A liraglutida utilizada no Saxenda possui esquema próprio de aplicação, diferente de algumas opções mais recentes de uso semanal.
Trulicity e Byetta
O Trulicity, à base de dulaglutida, e o Byetta, que contém exenatida, fazem parte da classe dos medicamentos que atuam sobre o GLP-1 e são utilizados no tratamento do diabetes tipo 2.
Embora alguns pacientes possam perder peso durante o tratamento, esse efeito não significa que os medicamentos sejam automaticamente indicados para emagrecimento em qualquer situação.
Retatrutida ainda é experimental
Entre as substâncias que vêm chamando atenção está a retatrutida, estudada como um medicamento de ação tripla sobre os receptores GLP-1, GIP e glucagon.
A diferença é que ela ainda está em fase experimental. Em julho de 2026, a Anvisa alertou que a substância não estava aprovada para uso em nenhum país e que produtos vendidos pela internet com esse nome não oferecem garantia de origem, concentração, segurança ou eficácia.
E o Zepbound?
O Zepbound também é associado à tirzepatida e é utilizado em outros mercados para o tratamento do excesso de peso.
No Brasil, porém, produtos vendidos com esse nome sem registro na Anvisa foram alvo de proibição. Por isso, medicamentos adquiridos de forma informal pela internet não devem ser considerados equivalentes aos produtos regularmente registrados no país.
Existe uma caneta melhor para emagrecer?
Não existe uma única opção considerada melhor para todos os pacientes.
A escolha depende de fatores como histórico de saúde, presença de diabetes ou outras doenças, medicamentos utilizados, indicação aprovada, resposta ao tratamento e possibilidade de efeitos adversos.
Além disso, o uso dessas medicações não substitui alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento profissional. Quando indicado, o tratamento farmacológico deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de cuidado.
Riscos do uso por conta própria
A popularização das canetas também aumentou o número de pessoas que procuram medicamentos pela internet, utilizam doses indicadas por conhecidos ou iniciam o tratamento sem avaliação médica.
Desde 2025, medicamentos agonistas de GLP-1 abrangidos pela regulamentação sanitária passaram a exigir retenção da receita nas farmácias. A medida foi adotada diante das preocupações com o uso inadequado e possíveis eventos adversos.
A Anvisa também alertou, em 2026, para complicações graves relacionadas ao uso indevido, incluindo casos de pancreatite aguda.
Além dos efeitos gastrointestinais, o médico precisa avaliar o histórico do paciente, doenças preexistentes, medicamentos em uso, contraindicações e a necessidade de acompanhamento durante o tratamento.
Antes da caneta, vem a avaliação médica
Para quem pensa em utilizar um desses medicamentos, o primeiro passo não deve ser escolher entre Ozempic, Wegovy, Mounjaro ou outra marca, mas procurar avaliação profissional.
Uma consulta permite analisar o histórico de saúde, os objetivos do paciente, possíveis fatores de risco e a necessidade de exames.
Mais importante do que escolher uma “caneta para emagrecer” é encontrar uma estratégia de tratamento adequada para cada pessoa, com indicação médica, acompanhamento e segurança.
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