A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada em Campo Grande (MS), chegou à metade da programação nesta quinta-feira (25) com avanços relevantes na análise de propostas que podem incluir 42 novas espécies em iniciativas de conservação internacional.
O presidente da conferência, João Paulo Capobianco, que também atua como secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, destacou que o cronograma segue sem atrasos. Segundo ele, após reunião de avaliação com a organização na terça-feira (24), não houve registro de problemas que comprometam o andamento dos trabalhos.
As discussões estão centradas na atualização das listas da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, especialmente nos anexos que tratam de espécies ameaçadas de extinção e daquelas sob pressão. O debate inclui análises técnicas, questionamentos científicos e pedidos de esclarecimento sobre os critérios de classificação.
Nos primeiros dias do evento, foram apresentados estudos importantes, como um relatório que aponta a queda na população de peixes migratórios de água doce. A conferência também abre espaço para contribuições de cientistas, organizações da sociedade civil e representantes de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.
No âmbito nacional, o Brasil já começou a adotar medidas alinhadas às metas da COP15. Um decreto presidencial publicado em 6 de março instituiu o Parque Nacional do Albardão e a Área de Proteção Ambiental do Albardão, no Rio Grande do Sul, abrangendo mais de 1 milhão de hectares, incluindo áreas marítimas.
Durante a Cúpula dos Líderes, novas iniciativas ampliaram a proteção ambiental, como a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, além da expansão de áreas protegidas no Pantanal.
Em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o MMA também lançou um edital para incentivar pesquisas voltadas ao mapeamento de rotas migratórias e identificação de áreas prioritárias para conservação.
Outro destaque foi o anúncio da criação de estruturas especializadas na Justiça e no Ministério Público Federal voltadas ao bioma Pantanal, com apoio de autoridades como Dorival Pavan e Antônio Herman Benjamin.
Capobianco reforçou que o Brasil pretende assumir protagonismo nos próximos anos dentro da CMS, liderando pelo exemplo com ações concretas voltadas à preservação das espécies migratórias.