
Entre os dias 23 e 29 de março de 2026, o Brasil sedia, em Campo Grande, a 15ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS). O evento reúne cerca de 2 mil especialistas de diferentes áreas e coloca o país como protagonista nas discussões internacionais sobre biodiversidade, com destaque para o Pantanal, considerado por autoridades um dos ecossistemas mais relevantes e também mais frágeis do planeta.
Apesar de a abertura oficial ocorrer nesta segunda-feira (23), a programação teve início no domingo (22) com o Segmento de Alto Nível, que reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, além do secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e presidente da COP15, João Paulo Capobianco.
O encontro tem como objetivo fortalecer compromissos políticos e ampliar a cooperação internacional voltada à proteção das espécies migratórias.
Durante a abertura, o Pantanal foi citado como símbolo da importância da conservação ambiental em escala global. A ministra Simone Tebet destacou que sediar o evento em Mato Grosso do Sul amplia a visibilidade internacional do bioma e pode abrir portas para novos financiamentos voltados à preservação ambiental.
Segundo ela, o Brasil possui diversos biomas de grande relevância, e o Pantanal se destaca pela fragilidade e pela necessidade de atenção internacional. A ministra também ressaltou que a realização da conferência no Estado permite mostrar ao mundo a importância ambiental da região e reforçar a busca por investimentos para a conservação.
O governador Eduardo Riedel afirmou que Mato Grosso do Sul tem papel estratégico na agenda ambiental mundial, por abrigar três importantes biomas: Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Ele destacou que o Estado mantém grande parte da vegetação nativa preservada e abriga centenas de espécies migratórias, além de mais de 600 espécies de aves, o que reforça a responsabilidade local na proteção da biodiversidade.
A ministra Marina Silva apontou os principais desafios enfrentados pelas espécies migratórias, como a perda de habitats, as mudanças climáticas, a poluição e a presença de espécies invasoras. Segundo ela, proteger essas espécies significa preservar ecossistemas inteiros e garantir o equilíbrio ambiental em escala global.
A ministra também afirmou que a COP15 representa uma oportunidade para avanços concretos na cooperação internacional, com metas voltadas à proteção da biodiversidade até 2030, incluindo o fortalecimento de planos nacionais de conservação e ações específicas para espécies ameaçadas.
A abertura oficial da COP15 acontece na chamada Zona Azul, espaço destinado às negociações entre os países membros da Convenção. A programação inclui discursos políticos, definição da mesa diretora, aprovação da agenda e apresentação de relatórios institucionais.
Durante a semana, os debates serão realizados em plenárias e grupos temáticos, abordando temas como conservação de espécies migratórias, mudanças climáticas, conectividade ecológica e impactos das atividades humanas. Também estão previstas discussões sobre planos de ação para espécies marinhas, aves e animais terrestres, além da revisão das listas de espécies protegidas pela Convenção.
Além das reuniões oficiais, a conferência conta com espaços paralelos voltados à participação social e à integração entre ciência, cultura e políticas públicas. O Espaço Brasil reúne debates, apresentações e atividades com participação de órgãos públicos, universidades e organizações da sociedade civil.
Outro destaque é o espaço “Conexão sem Fronteiras”, com entrada gratuita, que busca aproximar o público das discussões sobre conservação e emergência climática. A programação inclui palestras, exposições, mostra de cinema socioambiental e debates sobre temas como proteção de aves migratórias, ecossistemas marinhos e resiliência do Pantanal.
A Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres é um tratado ambiental das Nações Unidas em vigor desde 1979. A Conferência das Partes, realizada a cada três anos, reúne atualmente 132 países e a União Europeia, sendo o principal espaço de decisão sobre medidas de proteção às espécies migratórias.
Com a realização da COP15 em Campo Grande, o Brasil reforça sua participação nas negociações ambientais internacionais e coloca o Pantanal no centro das atenções mundiais, evidenciando a necessidade de conciliar preservação ambiental e desenvolvimento sustentável.
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