

A Justiça Federal aceitou parte da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra integrantes de um esquema de contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro que atuava em Mato Grosso do Sul. A decisão da 1ª Vara Federal de Naviraí tornou réus 10 investigados apontados como participantes da organização criminosa desarticulada pela Operação Buena Vita, da Polícia Federal.
As investigações indicam que o grupo era especializado na entrada ilegal de celulares e outros produtos eletrônicos vindos do Paraguai. Segundo o MPF, a quadrilha mantinha uma loja em Salto del Guairá, cidade paraguaia localizada na fronteira com o Brasil, utilizada como base para negociação e distribuição das mercadorias.
De acordo com a denúncia, os integrantes realizavam negociações por aplicativos de mensagens e contavam com uma estrutura organizada que incluía olheiros, batedores e motoristas responsáveis pelo transporte dos produtos em veículos adaptados com compartimentos ocultos para evitar a fiscalização.
As apurações também apontam que um dos envolvidos atuaria na tentativa de recuperar cargas apreendidas, oferecendo vantagens indevidas a agentes públicos. Em um dos episódios investigados, teria sido oferecida uma quantia de R$ 40 mil para viabilizar a liberação de mercadorias retidas pelas autoridades.
Após a comercialização dos produtos, os recursos obtidos seriam enviados ao exterior por meio do chamado “dólar-cabo”, mecanismo clandestino utilizado para movimentar dinheiro sem registro oficial. Em seguida, os valores eram distribuídos em contas de terceiros e convertidos em criptomoedas, como forma de dificultar o rastreamento da origem dos recursos.
Inicialmente, o MPF denunciou 13 pessoas pelos crimes de organização criminosa, contrabando e descaminho. No entanto, a Justiça recebeu parcialmente a acusação contra 10 investigados, diferenciando os níveis de participação de cada um.
Conforme a decisão judicial, seis réus responderão por envolvimento em organização criminosa, enquanto outros quatro foram enquadrados por participação nas atividades de contrabando e descaminho. O entendimento do magistrado foi de que nem todos os denunciados integravam efetivamente a estrutura da organização, embora tenham participado das operações ilegais.
A Operação Buena Vita foi deflagrada em 2022 após denúncias que apontavam a atuação de um grupo especializado no transporte irregular de eletrônicos entre Paraguai, Mato Grosso do Sul e Paraná. Durante a investigação, a Polícia Federal identificou movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos suspeitos, além da ostentação de patrimônio e estilo de vida de luxo em redes sociais.
No decorrer da operação, a Justiça autorizou o cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul e Paraná, além do bloqueio de bens e valores dos investigados. O valor total das medidas patrimoniais chegou a R$ 3,9 milhões.
Também foram determinados o sequestro de imóveis, veículos e contas bancárias vinculados aos investigados e a possíveis terceiros utilizados para ocultar patrimônio, conhecidos popularmente como “laranjas”.
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