
A veterinária e influenciadora digital Raylane Ferrari, de 31 anos, foi presa nesta segunda-feira (4) em Campo Grande, suspeita de vender produtos veterinários como se fossem cosméticos para uso humano. A atuação ocorria tanto em um pet shop no Bairro Universitário quanto pela internet, com vendas para todo o país.
A investigação foi conduzida pelo CRMV-MS após denúncia formal. Segundo o órgão, a influenciadora manipulava e adulterava produtos de uso animal, promovendo-os como fórmulas mais eficazes para humanos.
Durante fiscalização no estabelecimento, foram encontradas misturas de vitaminas e suplementos veterinários adicionados a shampoos equinos da marca Good Horse. Os produtos eram anunciados com promessas estéticas, como crescimento capilar.
Mais de 60 frascos prontos para venda foram apreendidos. Na internet, as chamadas “fórmulas milagrosas” eram comercializadas por cerca de R$ 35 e divulgadas com alto engajamento nas redes sociais, incluindo vídeos em plataformas como Instagram e TikTok.
Além de tônicos capilares, a investigada também promovia pomadas veterinárias como analgésicos para humanos, alegando que os produtos “só não tiravam dor de chifre”.
De acordo com o presidente do conselho, Thiago Leite Fraga, a prática representa uma violação grave. “Quando produtos veterinários são adulterados para uso humano, há desvio de finalidade e quebra dos protocolos de segurança exigidos por lei”, afirmou.
O caso também envolve o Ministerio da Agricultura, que informou que o shampoo utilizado possui registro regular apenas para uso veterinário. A adulteração, no entanto, configura infração, especialmente por passar a ser comercializado para humanos sem qualquer registro na Anvisa.
Segundo a legislação brasileira, qualquer alteração na composição original de um produto registrado — seja por adição ou substituição de substâncias — caracteriza adulteração.
Especialistas alertam ainda para os riscos à saúde. Substâncias como a vitamina A, presentes em produtos como o Monovin A, podem causar intoxicação, danos hepáticos e até má-formação fetal quando utilizadas sem controle.
As provas reunidas incluem vídeos publicados pela própria influenciadora demonstrando a manipulação dos produtos e incentivando o uso por seguidores. O material foi encaminhado à Decon, responsável pelo inquérito.
Como medida inicial, foi determinada a retirada imediata das propagandas e anúncios nas plataformas digitais. Além das possíveis consequências criminais, a investigada poderá responder a sanções administrativas, como multa, suspensão das atividades e até perda do registro profissional.
Ela foi presa em flagrante e segue à disposição da Justiça. Os produtos apreendidos passarão por perícia para análise da composição e das condições de preparo.
O advogado Angelo Bezerra afirmou que a linha de defesa deve se basear na ausência de intenção. Segundo ele, a cliente atuava apenas na divulgação e revenda dos produtos.
“A defesa sustenta que ela não possui conhecimento técnico sobre manipulação química nem intenção de causar prejuízo. Sua atuação era como influenciadora, promovendo um produto já conhecido e comercializado em outros locais”, declarou.
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