A Prefeitura de Campo Grande aposta na gestão de unidades de saúde por meio de organizações sociais (OS) como uma alternativa para modernizar o serviço público. O modelo, apresentado recentemente como projeto piloto, já gerou discussões no Conselho Municipal de Saúde e na Câmara Municipal, mobilizando servidores e parlamentares.
O secretário municipal de Saúde, Marcelo Brandão Vilela, defende a proposta e afirma que experiências semelhantes em outras cidades apontam economia entre 15% e 20% nos custos, além de bons índices de satisfação dos usuários.
Segundo ele, a resistência inicial está ligada ao receio de mudanças, principalmente por parte dos servidores. A proposta prevê a realização de um chamamento público para selecionar uma OS que ficará responsável pela gestão das unidades por um período de 12 meses, em caráter experimental.
As unidades escolhidas para o projeto são os centros regionais dos bairros Aero Rancho e Tiradentes, que possuem alta demanda e são mantidos exclusivamente com recursos do município. Caso o modelo avance, a entidade selecionada ficará responsável por toda a gestão, incluindo contratação de pessoal e aquisição de insumos, seguindo regras do setor privado.
Apesar das críticas, o secretário garante que não haverá demissões. De acordo com ele, os servidores efetivos serão realocados para outras unidades da rede municipal.
Outro ponto defendido pela gestão é a maior agilidade na compra de medicamentos e insumos. Atualmente, o processo é considerado lento devido às exigências da legislação de licitações, o que, segundo o secretário, contribui para a falta recorrente de remédios na rede pública.
A proposta também conta com o aval da prefeita Adriane Lopes, que tem acompanhado as discussões. O tema será debatido em audiência pública marcada para o dia 9, na Câmara Municipal.
Paralelamente, a Secretaria de Saúde busca soluções para ampliar a oferta de leitos hospitalares na Capital, que concentra atendimentos de alta complexidade e recebe pacientes de diversas cidades do interior. A situação se agravou no fim de 2025, com dificuldades financeiras enfrentadas pela Santa Casa, principal hospital da rede pública.
Diante desse cenário, a Justiça estabeleceu prazo de 90 dias para que Estado e Município apresentem uma solução definitiva. Entre as medidas em andamento estão a realização de auditoria nas contas do hospital e estudos para descentralizar atendimentos especializados, com o objetivo de aliviar a sobrecarga na Capital.