

A crise financeira da Santa Casa de Campo Grande ameaça comprometer ainda mais os atendimentos hospitalares. Com uma dívida estimada em R$ 40 milhões com médicos de diferentes especialidades, a instituição corre o risco de interromper novos serviços, incluindo o setor de ortopedia, segundo o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed).
De acordo com o presidente do sindicato, Marcelo Santana, cerca de 300 profissionais receberam o último pagamento em maio. A falta de repasses tem aumentado a preocupação com a continuidade dos atendimentos, especialmente em áreas essenciais para pacientes que dependem de procedimentos hospitalares.
Santana afirma que o hospital enfrenta uma das situações financeiras mais graves de sua história e alerta para a possibilidade de novas especialidades suspenderem as atividades. Entre os serviços que já enfrentam dificuldades estão a cirurgia pediátrica e a anestesiologia, cujos profissionais continuam atuando por determinação judicial.
A principal preocupação do sindicato é a possível paralisação da ortopedia, responsável pelo atendimento de pacientes vítimas de acidentes de trânsito e outras ocorrências que exigem cuidados especializados.
“A gente não pode deixar a Santa Casa parar”, declarou o presidente do Sinmed.
Hospital restringe atendimentos a urgências e emergências
Em meio à crise, a direção da Santa Casa anunciou que, a partir desta sexta-feira (16), o hospital atenderá apenas casos de urgência e emergência. Pacientes que necessitam de outros tipos de atendimento poderão ser encaminhados para unidades alternativas da rede de saúde.
Segundo a diretora técnica, Patrícia Berg, a instituição recebe aproximadamente 110 pacientes por dia. Desse total, entre 20% e 25% são classificados como casos urgentes, o que significa que a maior parte da demanda poderá precisar ser direcionada a outros hospitais.
A restrição ocorre diante da falta de recursos financeiros, materiais médicos, órteses, próteses e outros insumos necessários à realização de procedimentos.
Repasse é considerado insuficiente
A direção da Santa Casa informou que a última proposta de repasse apresentada à instituição, no valor de R$ 37.418.741,66, não atende integralmente às necessidades do hospital.
O cálculo considera um contrato mensal de R$ 32,5 milhões. A receita total recebida pela instituição por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), entretanto, é de aproximadamente R$ 35 milhões.
A diferença entre os recursos disponíveis e as despesas necessárias para manter a estrutura hospitalar amplia as dificuldades para garantir o funcionamento dos serviços e os pagamentos aos profissionais.
Demanda pode aumentar com a Rota Bioceânica
Marcelo Santana também manifestou preocupação com o possível crescimento da demanda por atendimentos de saúde em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, a movimentação de pessoas no Estado e em Campo Grande poderá aumentar com o funcionamento efetivo da ponte da Rota Bioceânica, que liga Brasil e Paraguai na região de Porto Murtinho.
Nesse cenário, a continuidade dos serviços da Santa Casa é considerada fundamental para a assistência hospitalar, especialmente nos atendimentos de maior complexidade e nas situações de emergência.
A instituição enfrenta o desafio de regularizar os pagamentos, garantir o abastecimento de materiais e manter o atendimento à população em meio à crise financeira.
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