

Um vigilante que trabalhava na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá foi preso nesta quinta-feira (15), suspeito de fornecer informações internas a uma organização criminosa investigada por transportar drogas da Bolívia para o Brasil. Segundo as apurações, ele seria enteado de um dos líderes do grupo e teria compartilhado detalhes sobre a rotina policial, a presença de equipes, a situação de presos e registros de apreensões.
A prisão ocorreu durante a Operação Capolinea, conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), com o objetivo de desarticular uma organização criminosa transnacional. Conforme a investigação, o grupo teria negociado aproximadamente 24 toneladas de drogas durante o período analisado.
Em Mato Grosso do Sul, os mandados são cumpridos nos bairros Jardim Jacy e Jardim Vida Nova, em Campo Grande, além da zona rural de Jaraguari. A operação também tem ações em São Paulo, Goiás e Minas Gerais.
Cerca de 100 policiais participam da ofensiva, que prevê o cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão — 14 preventivas e sete temporárias. A Justiça autorizou ainda o sequestro e o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 24 milhões.
Até o momento, dois investigados foram presos e um revólver calibre .32 foi apreendido. Um terceiro alvo procurado no Jardim Jacy não foi localizado. As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Federal de Corumbá.
As apurações começaram após uma fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF), realizada em 13 de agosto de 2025, na BR-262, em Três Lagoas. Na ocasião, os agentes abordaram um caminhão Scania/T113 e perceberam que os pneus estepes estavam soltos das rodas.
Dentro dos pneus, foram encontrados cerca de 35 quilos de cocaína e 12 quilos de maconha. O motorista afirmou que havia recebido os pneus em Corumbá e que faria o transporte até Bauru, no interior paulista. O filho dele, que estava como passageiro, declarou não saber que os entorpecentes eram transportados.
A análise do celular apreendido com um dos principais operadores do esquema, que estaria escondido na Bolívia, ajudou os investigadores a identificar integrantes e compreender o funcionamento da organização.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo utilizava caminhões carregados com minério de ferro para levar entorpecentes da Bolívia ao Brasil. A estratégia aproveitava o intenso fluxo de veículos de carga na região de Corumbá, próxima à fronteira com Puerto Quijarro.
Para facilitar a passagem dos caminhões sem fiscalização, os criminosos teriam aliciado funcionários de empresas mineradoras, entre eles supervisores e operadores de balança. Os pagamentos pelos serviços eram realizados por meio de transferências via Pix.
Além de esconder drogas em pneus, a organização utilizava tanques de combustível e cargas de grãos para transportar os entorpecentes. A distribuição alcançava Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.
O vigilante preso é apontado pelos investigadores como responsável por armazenar drogas em sua residência e transportar entorpecentes entre a Bolívia e o Brasil, inclusive a carga apreendida em Três Lagoas. Ele também teria repassado informações que poderiam auxiliar os integrantes do grupo a acompanhar a movimentação das equipes policiais.
As investigações indicam que o principal líder da organização criminosa estaria vivendo na Bolívia há aproximadamente seis anos, após ser beneficiado por um habeas corpus concedido durante um plantão do Tribunal de Justiça.
A Justiça Federal autorizou ainda a inclusão de três investigados que vivem no exterior na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para solicitar a localização e a prisão provisória de pessoas procuradas internacionalmente.
Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas e participação em organização criminosa, entre outros delitos que eventualmente sejam identificados no decorrer das apurações.
O nome Capolinea significa “fim da linha”, em italiano, e faz referência à intenção de interromper as atividades do principal investigado e desarticular a rota utilizada para o transporte de entorpecentes.
As diligências continuam, e a Polícia Federal deverá divulgar um balanço final das prisões e dos materiais apreendidos após a conclusão da operação.
Mín. 15° Máx. 25°



