

Receita Federal, Ministério Público Federal e Ministério Público de Mato Grosso do Sul cumprem 16 mandados em três estados contra grupo investigado por importação clandestina, evasão de divisas e lavagem de dinheiro
A Operação Perfume de Mulher, deflagrada nesta terça-feira (22), investiga uma organização criminosa que teria movimentado mais de R$ 300 milhões em um esquema envolvendo a importação clandestina e a distribuição de perfumes estrangeiros no Brasil.
A ação é realizada em conjunto pela Receita Federal, Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Ao todo, são cumpridos 16 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco.
A operação foi autorizada pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, que também determinou a apreensão de bens relacionados aos investigados até o limite de R$ 100 milhões, incluindo criptoativos. Uma prisão também foi determinada contra a pessoa apontada pelas investigações como responsável pela coordenação das atividades do grupo.

De acordo com as investigações, o grupo seria responsável pela entrada clandestina de perfumes estrangeiros, principalmente produtos da chamada perfumaria árabe, provenientes do Paraguai.
Os produtos teriam ingressado no território brasileiro pela região de fronteira de Ponta Porã e posteriormente sido encaminhados para depósitos clandestinos.
Inicialmente, os estoques estariam concentrados em Campo Grande. Com a expansão das atividades, a distribuição teria sido ampliada para centros localizados em São Paulo e Pernambuco, de onde os produtos eram enviados para consumidores de diferentes estados brasileiros.
A comercialização dos perfumes ocorria principalmente por meio de redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico.
Segundo as apurações, influenciadores também teriam sido utilizados para promover os produtos. Um dos sites associados ao grupo se apresentava como referência nacional no segmento de perfumaria árabe e mantinha uma rede de revendedores em diferentes regiões do país.
Para tentar conferir aparência de legalidade às operações, os investigados teriam utilizado notas fiscais consideradas inidôneas, declarações de conteúdo falsas e diferentes pessoas jurídicas.

Além da importação irregular, os investigadores identificaram indícios de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.
Entre as práticas investigadas estão o uso de empresas de fachada, interposição de pessoas, ocultação de bens e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica dos envolvidos.
As apurações também apontaram o uso de criptoativos em operações relacionadas a fornecedores no exterior.
Entre 2024 e 2026, mais de 20 apreensões já teriam sido relacionadas às atividades investigadas.
Em outubro de 2025, uma operação resultou na retenção de aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente.
Segundo a Receita Federal, o comércio ilegal de produtos importados provoca impactos na arrecadação tributária, na concorrência com empresas que atuam regularmente e na economia formal.
Em Campo Grande, agentes atuaram em uma residência localizada no bairro Vivendas do Bosque. Cinco veículos oficiais foram vistos no local durante o cumprimento das medidas judiciais.
Outro imóvel, localizado no bairro Monte Castelo, também foi alvo da operação.
A operação mobiliza aproximadamente 130 integrantes, sendo 50 Auditores-Fiscais e Analistas Tributários da Receita Federal, 50 integrantes do Ministério Público Federal e 30 integrantes do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
Segundo os órgãos envolvidos, esta é a primeira operação realizada em Mato Grosso do Sul com participação simultânea da Receita Federal, GAECO-MPF e GAECO-MPE/MS.
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