

Equipes da Polícia Federal e da Receita Federal cumpriram, na manhã desta quarta-feira (9), mandados de busca e apreensão em imóveis ligados a investigados pela Operação Nexum, em Campo Grande. Em um dos endereços, no Jardim Los Angeles, os agentes apreenderam sacos com celulares e outros aparelhos eletrônicos.
A ação ocorreu em um imóvel localizado nos fundos de uma conveniência, no cruzamento das ruas José Maurício e Engenheiro Paulo Frontin. O local pertence a Victor Baptista Borges Neto, conhecido como “Victor Fio do Bigode”, que teve a prisão preventiva decretada durante a operação.
Segundo informações apuradas, Victor foi localizado e preso em outro imóvel, na esquina das ruas Mansour Contar e Coronel Moreira César, também no Jardim Los Angeles.
Ao todo, duas equipes da Polícia Federal e outras duas da Receita Federal participaram do cumprimento das ordens judiciais. O advogado Luiz Fernando Cavalheiro, que representa Victor, afirmou que a conveniência não era alvo do mandado.
“Não vou comentar sobre a operação, porque não tive acesso ainda para verificar a regularidade das diligências. Eles cumpriram mandados de busca e apreenderam alguns eletrônicos ali na residência”, declarou o defensor.
Investigação e ostentação
Victor “Fio do Bigode” é investigado por suposta participação em uma organização criminosa envolvida com o contrabando de eletrônicos provenientes do Paraguai, comercialização informal de produtos e cobrança de dívidas com ameaças graves e uso de armas de fogo.
Nas redes sociais, onde reúne mais de 35,7 mil seguidores, o investigado costuma publicar registros de viagens desde 2023, principalmente para destinos turísticos como Fernando de Noronha (PE), Balneário Camboriú (SC), Maceió (AL), Natal (RN), além de cruzeiros.
Ele também faz publicações relacionadas à comercialização de eletrônicos. Em outubro de 2025, por exemplo, publicou uma paródia em que aparece sendo preso. A cena é congelada e transformada em uma manchete fictícia: “Mercado em Choque: Fio do Bigode detido por segurar o estoque de iPhone 17 Pro Max”.
Na publicação, ele questiona: “Prisão ou estratégia de marketing?”. Em seguida, afirma que o conteúdo é satírico e não teria intenção de ofender autoridades.
Em outro vídeo, o investigado satiriza a suposta rotina de um contrabandista. A gravação mostra homens encapuzados acordando de madrugada, colocando dinheiro em espécie em um saco, embarcando em uma aeronave de pequeno porte rumo à fronteira com o Paraguai, comprando celulares e retornando para casa.
Além de Victor, a Justiça decretou a prisão preventiva de Luciano Henrique de Almeida. Já Jefferson Pereira da Silva deverá utilizar tornozeleira eletrônica.
Depósito
Outro imóvel investigado funcionava como depósito na região das ruas Macau e Florêncio José Pereira, no Bairro Mário Covas. No local, equipes da Polícia Federal e da Receita Federal encontraram diversos eletrodomésticos, entre eles geladeiras, aparelhos de ar-condicionado, micro-ondas, fogões e outros produtos.
Segundo informações apuradas, os itens seriam de fabricação nacional, o que, em princípio, afasta a caracterização de crimes relacionados a descaminho ou contrabando.
O responsável pelo endereço seria Wesley Mateus Borges dos Santos. Ele não foi preso, mas teve o celular apreendido para análise. Conforme as informações levantadas, ele seria responsável pela manutenção do depósito e preferiu não falar com a imprensa.
No endereço, foram apreendidos um veículo Saveiro, dois celulares, sete geladeiras, cinco aparelhos de ar-condicionado, quatro fogões, dois micro-ondas e uma lava-louça. A PF e a Receita ainda não divulgaram o balanço final da operação.
Operação Nexum
A Operação Nexum cumpre 12 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva em Campo Grande. A 5ª Vara Federal da Capital também determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões em bens dos investigados, o sequestro de veículos e a suspensão das atividades de empresas apontadas como ligadas ao grupo.
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