Suspeito de matar esposa ficou quatro dias com corpo dentro de casa em Mundo Novo
Irmã relata histórico de agressões, tortura e ameaças: “Era um crime que a gente já temia”
O suspeito de matar a própria esposa, Vicente Asuncion Vidal Gonzalez, de 41 anos, permaneceu por quatro dias com o corpo da vítima dentro de casa, na região do Porto Isabel, área rural de Mundo Novo, a 463 quilômetros de Campo Grande.
A vítima, Zelita Rodrigues de Souza, de 74 anos, foi encontrada na tarde de quinta-feira (30), já em avançado estado de decomposição.
Em entrevista nesta sexta-feira (1º), a irmã da vítima, Léia Miranda da Silva, de 69 anos, afirmou não ter dúvidas sobre a autoria do crime e revelou que a família já temia o pior.
“Ele matou ela de segunda para terça-feira. Depois ficou com o corpo dentro de casa. Ele saía, fechava a porta e voltava”, relatou.
Zelita foi sepultada na manhã desta sexta-feira, em Guaíra, onde vivem familiares. Léia contou que não convivia diretamente com o casal, pois mora em Maringá, mas destacou que o relacionamento era marcado por conflitos constantes.
Segundo ela, o casal estava junto há cerca de 10 anos, sendo sete deles em Mundo Novo. Zelita tinha dois filhos de relacionamentos anteriores, já adultos.
A notícia da morte chegou à família por meio de uma sobrinha. “Eu estava em Bela Vista quando recebi a ligação e vim para cá”, disse.
Para os familiares, o desfecho já era esperado. “Ela sofria muito na mão dele. Ele batia nela, maltratava, humilhava bastante”, afirmou Léia.
De acordo com o relato, as agressões eram frequentes e incluíam tortura. “Ele queimava ela com cigarro, cutucava ela com ponta de faca”. Além disso, o suspeito fazia ameaças constantes. “Ele dizia: ‘Escolhe o jeito que você quer morrer que eu vou te matar’”.
A família tentou diversas vezes afastar Zelita do agressor. “A gente pedia para ela largar dele. Uma sobrinha chegou a tentar levá-la para morar em outro lugar, mas ela sempre voltava”.
A última conversa entre as irmãs aconteceu na segunda-feira. “Na terça e quarta eu já não consegui mais falar com ela”.
O corpo foi encontrado após vizinhos estranharem a ausência da vítima. Ao entrarem na residência, encontraram Zelita sobre a cama, seminua, com diversos ferimentos e já em estado avançado de decomposição.
Segundo a irmã, o suspeito não tentou fugir. “Quando a polícia chegou, ele disse que ela não tinha nada e que podiam levá-lo”.
O velório foi breve e marcado pela dor. “O corpo já estava em estado avançado, ninguém conseguia ficar perto. O caixão ficou aberto, mas quase ninguém conseguiu se aproximar”, relatou.
Zelita não trabalhava e vivia em casa. Agora, a família cobra justiça, mesmo sem muita esperança. “A gente quer justiça. Mas, sinceramente, não acredita muito. Ele vai ficar preso um tempo e depois pode sair”, lamentou Léia.