
Sob o sol do fim da manhã em Campo Grande, a cena de pessoas caminhando pelas ruas começa a refletir uma mudança de comportamento: cada vez mais moradores buscam resolver tarefas do dia a dia a pé, como ir ao mercado, à padaria, à escola ou até ao trabalho — mesmo que ainda de forma gradual.
Essa proposta segue uma tendência global conhecida como “cidade de 15 minutos”, conceito desenvolvido pelo urbanista Carlos Moreno, que defende o acesso às principais necessidades em um raio de até 15 minutos a pé ou de bicicleta.
Para a professora Victoria Nascimento, de 29 anos, essa realidade já faz parte de alguns momentos da rotina. Moradora do Bairro Santa Fé, na região central, ela aproveita a proximidade para ir caminhando a compromissos como o salão de beleza e a academia, em trajetos que somam cerca de 10 quarteirões.
Embora ainda utilize transporte por aplicativo para distâncias maiores, como o deslocamento até a escola onde trabalha, no Bairro Coronel Antonino, Victoria enxerga potencial de crescimento nesse modelo, principalmente com a ampliação de comércios de bairro e serviços essenciais mais próximos das residências.
Ela também destaca que melhorias na infraestrutura podem incentivar ainda mais esse hábito. Calçadas mais acessíveis, organização do espaço urbano e rotas seguras para pedestres são fatores que contribuem para tornar a caminhada uma opção cada vez mais presente no dia a dia.
O barista Wendel de Sousa, de 27 anos, também percebe essa dinâmica. Morador do Jardim Presidente e trabalhador do Carandá Bosque, ele utiliza aplicativos de transporte para trajetos maiores, mas reconhece que, em algumas situações, caminhar é uma alternativa viável — especialmente para pequenas compras e tarefas rápidas.
Segundo ele, a expansão de serviços nos bairros pode facilitar ainda mais esse estilo de vida, aproximando as pessoas de soluções práticas e acessíveis.
Em regiões como o Carandá Bosque, a presença de restaurantes, bares e estabelecimentos comerciais já mostra como a concentração de serviços pode favorecer a mobilidade local. A tendência é que esse modelo continue se fortalecendo, estimulando deslocamentos mais curtos e práticos.
Para o frentista José Alan Santos, de 21 anos, a escolha pelo uso de veículo ainda é comum, mas ele reconhece que a proximidade de serviços — como o mercado a poucos minutos de casa — oferece alternativas rápidas também para quem opta por caminhar.
Natural de Rio Branco, José lembra que, em sua cidade de origem, o hábito de fazer tudo a pé era mais presente, mostrando que esse estilo de vida é possível e pode ser adaptado conforme a organização urbana.
Os dados também reforçam esse cenário em evolução. Enquete realizada pelo Campo Grande News aponta que 77% dos participantes já conseguem resolver atividades básicas perto de casa, enquanto 23% ainda precisam se deslocar para outras regiões — um indicativo de que a cidade avança, aos poucos, rumo a um modelo mais acessível e conectado.
A tendência da “cidade de 15 minutos” mostra que, com planejamento e investimentos, Campo Grande tem potencial para tornar a rotina mais prática, sustentável e próxima das pessoa
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