

O médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, réu pelo feminicídio da esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, permanece internado no Hospital da Cassems, em Campo Grande. Após apresentar complicações de saúde enquanto estava custodiado no Centro de Triagem Anísio Lima, ele foi submetido a um cateterismo cardíaco e a uma angioplastia, com colocação de stents para manter as artérias abertas e favorecer o fluxo sanguíneo.
Diante do quadro clínico, a defesa apresentou à Justiça um pedido de prisão domiciliar por razões humanitárias. O argumento é de que as condições de saúde do acusado exigem cuidados que, segundo os advogados, não seriam adequadamente garantidos no ambiente prisional.
A internação provocou o adiamento da primeira audiência de instrução e julgamento do processo. O juiz Aluizio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri, remarcou os depoimentos das testemunhas de acusação para o fim de outubro. A previsão é que o interrogatório do réu ocorra no início de novembro.
Antes de decidir sobre a solicitação da defesa, o magistrado aguarda informações atualizadas sobre o estado de saúde do médico, além de laudos e documentos fornecidos pelo hospital.
Questionado sobre o quadro clínico do paciente, o Hospital da Cassems informou que não divulga detalhes ou informações sobre o estado de saúde das pessoas internadas na unidade.
O advogado José Belga Trad, responsável pela defesa, criticou a manutenção da prisão e afirmou que considera a situação uma ameaça à vida do cliente. O defensor também reiterou que o médico é inocente das acusações e declarou que solicitará a apuração de eventuais responsabilidades criminais caso ocorra algum agravamento com o acusado.
O caso
Fabíola Marcotti, de 51 anos, foi encontrada morta em maio de 2026, na Chácara dos Poderes, propriedade onde vivia com o marido, em Campo Grande.
Na ocasião, João Jazbik Neto sustentou que a esposa havia cometido suicídio. Entretanto, as investigações conduzidas pela Polícia Civil identificaram indícios considerados incompatíveis com essa versão, incluindo sinais de agressão. Ao concluir o inquérito, a polícia apontou o feminicídio como causa criminal investigada.
O médico responde judicialmente por feminicídio, violência psicológica, fraude processual e posse irregular de arma de fogo. O processo segue em andamento, e as acusações ainda serão examinadas pela Justiça.
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