A morte da subtenente da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, foi confirmada como o primeiro caso de feminicídio registrado em Campo Grande em 2026. No entanto, o crime já é o nono ocorrido em todo o estado neste ano.
O suspeito, que apresentou versões contraditórias sobre o ocorrido, foi preso em flagrante por equipes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher ainda na residência. Marlene foi morta com um disparo no pescoço, enquanto ainda estava fardada — ela havia ido para casa apenas para almoçar antes de retornar ao trabalho.
Em nota oficial, a Polícia Militar lamentou a perda. “A instituição se solidariza com familiares, amigos e colegas de farda neste momento de dor. A perda de um integrante da corporação atinge toda a família policial militar”, diz o comunicado.
O caso reforça um cenário preocupante no estado. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que Mato Grosso do Sul está entre os estados com maiores índices de feminicídio no país. Entre 2021 e 2025, foram registradas 181 vítimas, sendo 2022 o ano mais violento, com 44 casos.
Considerando a taxa por 100 mil mulheres, o estado ocupa a terceira posição nacional, com 2,7 mortes, atrás apenas do Acre e de Rondônia.
Em 2026, apenas nos primeiros meses do ano, nove mulheres já foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul. O primeiro caso ocorreu em 16 de janeiro, em Bela Vista, e antes do crime desta segunda-feira (6), o estado estava há duas semanas sem registros.
Vítimas em 2026:
- Josefa dos Santos, 44 anos – Bela Vista (16/01)
- Rosana Candia Ohara, 62 anos – Corumbá (25/01)
- Nilza de Almeida Lima, 50 anos – Coxim (22/02)
- Beatriz Benevides da Silva, 18 anos – Três Lagoas (25/02)
- Liliane de Souza Bonfim Duarte, 51 anos – Ponta Porã (03/03)
- Leise Aparecida Cruz, 41 anos – Anastácio (06/03)
- Ereni Benites, 44 anos – Paranhos (08/03)
- Fátima Aparecida da Silva, 58 anos – Selvíria (23/03)
- Marlene de Brito Rodrigues, 59 anos – Campo Grande (06/04)