
Histórico de violência e feminicídio em Campo Grande
O caso que resultou na morte da subtenente Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, em Campo Grande, envolve um histórico extenso de violência. O principal suspeito, Gilberto Jarson, de 50 anos, foi preso em flagrante por feminicídio após apresentar versões contraditórias sobre o crime.
Conforme apurado, o suspeito possuía cerca de 20 passagens pela polícia, sendo a maioria por ameaça, além de registros por violência doméstica e associação criminosa. Anos antes, ele já havia sido denunciado por uma ex-companheira, que o descreveu como uma pessoa agressiva e que não aceitava o fim do relacionamento. Ela chegou a registrar boletins de ocorrência por ameaça e injúria, além de obter medida protetiva.
Mesmo com a ordem judicial em vigor, o homem foi visto diversas vezes nas proximidades da residência da ex-companheira. Em um dos episódios, a mulher foi violentamente agredida enquanto seguia para a igreja com o filho de 4 anos no colo. Ao passar em frente a um bar, o suspeito iniciou xingamentos e, em seguida, arremessou um capacete contra ela.
Na sequência, passou a agredi-la com socos na cabeça e no rosto. A vítima caiu no chão durante o ataque, e uma pessoa retirou a criança de perto. Ainda assim, o agressor pegou um banco de madeira e continuou os golpes na cabeça da mulher. Ele só interrompeu as agressões ao perceber que ela estava sangrando. Antes de fugir, ainda a ameaçou de morte.
A vítima foi socorrida e precisou de atendimento médico, levando pontos na cabeça. À polícia, relatou que o ex-companheiro era usuário de drogas e que temia pela própria vida.
O feminicídio ocorreu no horário do almoço. Segundo a Polícia Militar, um policial vizinho foi o primeiro a chegar ao local após ser avisado por outra moradora que ouviu um disparo. Ao chegar à residência, encontrou o suspeito com as mãos ensanguentadas e sem responder aos questionamentos sobre a vítima.
Como houve demora para abertura do portão, o policial entrou no imóvel pulando o muro. No interior da casa, o suspeito estava ao telefone e segurava um revólver. Após ordem do militar, ele colocou a arma sobre um móvel.
A vítima ainda apresentava sinais vitais naquele momento, e equipes de socorro foram acionadas, mas ela não resistiu aos ferimentos. Vizinhos relataram que as brigas entre o casal eram frequentes, com registros de gritos e até pedidos de socorro em ocasiões anteriores.
Durante o atendimento da ocorrência, o suspeito apresentou versões divergentes. Em um momento, afirmou que havia acionado a polícia após o disparo. No entanto, os agentes também identificaram uma ligação feita ao advogado dele.
O homem ainda alegou possuir provas de que a vítima teria manifestado intenção de tirar a própria vida e negou qualquer discussão no dia do crime. A investigação segue para esclarecer completamente as circunstâncias do feminicídio.
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