Quatro policiais civis de Mato Grosso do Sul receberam promoção extraordinária por ato de bravura após participarem de uma abordagem policial que terminou com a morte de dois suspeitos em Ponta Porã, município localizado na região de fronteira com o Paraguai.
A decisão foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Superior da Polícia Civil (CSPC) durante sessão realizada na quarta-feira (21) e publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (22).
Foram contemplados os delegados Lucas Calixto Barros Sampaio Fernandes e Alcides Bruno Braun, além dos investigadores de Polícia Judiciária Marcos Moreira Maciel e Kleiton Guiti Higa.
A deliberação acolheu integralmente o parecer da comissão responsável pela análise do processo, que concluiu pelo cumprimento dos requisitos legais e regulamentares para a concessão do benefício.
Análise e aprovação do conselho
O relatório que fundamentou a decisão foi elaborado por uma comissão formada pelos delegados Ivan Barreira, Carlos Delano e André Bello.
A votação contou com a participação dos integrantes do conselho, incluindo representantes das diferentes categorias da carreira policial. Houve abstenção dos conselheiros Clever José Fante Esteves e Giulliano Carvalho Biacio.
O documento foi assinado pelo delegado-geral da Polícia Civil, Lupérsio Degerone Lucio, que preside o CSPC.
Abordagem terminou com duas mortes
O confronto ocorreu em 4 de abril de 2025, no bairro Vila Santa Ana, em Ponta Porã. Na ocasião, equipes da Seção de Investigações Gerais (SIG), da Polícia Civil, e da Força Tática da Polícia Militar foram até o endereço para cumprir mandados de prisão relacionados a investigações criminais.
Conforme a versão policial, os agentes foram recebidos a tiros e reagiram. Caio Alexandre Aranda Benitez foi atingido durante a troca de disparos. Na sequência, os policiais entraram no imóvel e encontraram outro homem armado com uma escopeta calibre 12, que também foi baleado.
Os dois foram encaminhados ao Hospital Regional, mas morreram após dar entrada na unidade.
Caio era investigado por suspeita de participação nos assassinatos de Mauritoni Gleberson da Silva e Rosangela Ojeda de Souza. Alan Cristaldo Romero, também citado nas investigações, era apontado como suspeito de envolvimento em roubos praticados por um grupo descrito pelas autoridades como violento.
Outro investigado, identificado como Edson, conseguiu fugir durante a ocorrência. Ele também era procurado por suspeita de participação nos crimes contra o casal.
Investigação sobre a morte do casal
Mauritoni, conhecido como Toni, foi morto a tiros em 24 de março de 2025, no quintal de uma residência no Residencial Ponta Porã I.
Rosangela foi vista por testemunhas saindo do local acompanhada de homens apontados como envolvidos no assassinato. Dois dias depois, o corpo dela foi encontrado em uma estrada vicinal que liga Ponta Porã à Fazenda Jotabasso. A vítima foi morta com disparos de arma de fogo.
As investigações buscaram esclarecer a participação dos suspeitos nos dois homicídios e apurar possíveis conexões com outros crimes atribuídos ao grupo.
A promoção dos quatro policiais reconhece administrativamente a atuação deles na ocorrência, conforme a avaliação do Conselho Superior da Polícia Civil. O procedimento não substitui as investigações criminais nem representa, por si só, uma conclusão judicial sobre os crimes atribuídos aos suspeitos mortos.