A 5ª Vara Criminal de Campo Grande negou os pedidos de revogação da prisão preventiva e de concessão de prisão domiciliar à advogada Alir Terra Lima, de 71 anos, ex-presidente da Santa Casa de Campo Grande. A decisão também rejeitou a possibilidade de substituição da prisão por outras medidas cautelares.
Alir foi presa em 11 de setembro, durante a Operação Antidotum, conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc). Ela responde a uma ação penal que investiga suspeitas de corrupção envolvendo contratos do maior hospital de Mato Grosso do Sul.
A ex-presidente é acusada de organização criminosa, peculato — em sete ocasiões — e falsidade ideológica. As acusações fazem parte de uma denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Conforme a denúncia, Alir teria exercido papel de liderança no suposto esquema, com influência sobre as contratações, as informações repassadas aos órgãos de fiscalização e as principais decisões relacionadas às operações investigadas.
Investigação apura contratos
A Operação Antidotum cumpriu 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia, em Goiás. As investigações se concentram em dois núcleos de contratos relacionados à Santa Casa.
Um dos contratos sob análise envolve a digitalização de prontuários médicos. O acordo previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano, durante três anos, o que representa um valor total de R$ 5,4 milhões.
Defesa pretende recorrer
O advogado Murilo Marques, responsável pela defesa de Alir Terra Lima, informou que pretende apresentar um pedido de habeas corpus ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), buscando reverter a decisão que manteve a prisão preventiva.
As acusações ainda devem ser analisadas no decorrer do processo judicial, respeitando-se o direito de defesa e a presunção de inocência.