Polícia OPERAÇÃO INFILTRADOS
Gaeco pede indenização de R$ 10 milhões e perda de cargos de policiais acusados de desviar drogas
Denúncia contra 23 pessoas aponta esquema de desvio e revenda de entorpecentes apreendidos ao tráfico. Ministério Público também solicita o confisco de imóveis, veículos e dinheiro ligados à investigação.
20/10/2026 08h59
Por: Leandro Colman

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) pediu à Justiça a condenação de 23 pessoas denunciadas na Operação Infiltrados, além da perda dos cargos públicos de policiais investigados e do pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. As solicitações fazem parte de uma denúncia de 490 páginas apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) no dia 9 de outubro.

Segundo a acusação, integrantes das forças de segurança teriam utilizado a estrutura policial e informações obtidas durante o serviço para desviar drogas apreendidas e revendê-las a traficantes. O Ministério Público também requer o confisco de bens supostamente relacionados às atividades criminosas, incluindo dinheiro, veículos e imóveis.

Entre os patrimônios mencionados está uma casa localizada no condomínio Alphaville 1, em Campo Grande, atribuída ao delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, apontado pela investigação como um dos principais responsáveis pelo funcionamento do grupo.

Indenização por danos coletivos

O pedido de R$ 10 milhões tem como fundamento os prejuízos atribuídos ao esquema e os danos à administração pública e à sociedade. Para os promotores, as condutas descritas na denúncia representam uma grave violação à moralidade pública e comprometem a confiança da população nas instituições responsáveis pela segurança.

O Ministério Público sustenta que os denunciados teriam agido para obter vantagens pessoais, contrariando os deveres dos agentes públicos. Com base nesses argumentos, solicita que a Justiça estabeleça uma indenização pelos danos coletivos atribuídos às práticas investigadas.

Ministério Público pede perda dos cargos

A acusação também requer a perda dos cargos públicos do delegado Hoffman, de oito policiais civis e de um policial penal. Entre os nomes citados estão Douglas Tobias, Luiz Carlos de Souza, Marcos André Santos Chaves, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Neverson Vieira de Araújo, Nilton Cesar Sales dos Santos, Roberto Palmeira da Silva, Augusto Torres Galvão Florindo e Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos.

Conforme a denúncia, Augusto Torres Galvão Florindo já foi excluído administrativamente da Polícia Civil. Ainda assim, o Ministério Público pede que a perda do cargo seja reconhecida também na esfera criminal, considerando a possibilidade de reversão ou anulação da medida administrativa.

Os promotores argumentam que as condutas atribuídas aos investigados seriam incompatíveis com a permanência nos quadros das instituições de segurança pública. A perda dos cargos, entretanto, depende da análise judicial e de eventual condenação, conforme os requisitos legais aplicáveis a cada caso.

Como funcionava o esquema investigado

Deflagrada em 24 de setembro, a Operação Infiltrados é um desdobramento das investigações das operações Traquetos e Blindspot. De acordo com o Gaeco, o grupo teria atuado entre 2021 e 2026, com divisão de tarefas entre agentes públicos, intermediários, responsáveis pela comercialização dos entorpecentes e pessoas encarregadas da movimentação financeira.

O delegado Hoffman é apontado como responsável por facilitar as atividades do grupo a partir de sua posição de comando. Já Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, teria negociado os carregamentos desviados e distribuído valores entre os participantes.

As investigações identificaram o suposto desvio de mais de meia tonelada de drogas que deveriam permanecer sob controle das autoridades. Segundo o Ministério Público, os entorpecentes eram retirados de apreensões ou interceptados durante operações e, posteriormente, revendidos a integrantes do tráfico.

A denúncia também descreve suspeitas de recebimento de vantagens indevidas, uso de informações sigilosas e ocultação de recursos provenientes das atividades criminosas.

Acusados respondem por diferentes crimes

A denúncia foi assinada pelos promotores Gerson Eduardo de Araujo, Tiago Di Giulio Freire, Antenor Ferreira de Rezende Neto e Eduardo de Araujo Portes Guedes e encaminhada à 2ª Vara Criminal de Campo Grande.

O Ministério Público pede que a Justiça receba a acusação, dê andamento ao processo e, ao final, condene os denunciados pelos crimes atribuídos individualmente a cada um.

Entre os delitos apontados estão organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro, peculato e violação de sigilo funcional. A responsabilização de cada acusado dependerá da análise das provas e da decisão judicial.