Polícia AUDIÊNCIA JUDICIAL
Militar diz que avançou sinal vermelho por medo de ser baleado após beber e dirigir
Victor Vicentin Rocha, de 22 anos, afirmou que trafegava a 65 km/h quando atingiu a motocicleta da vigilante Miriam Rosa Matos; promotoria citou laudo que aponta velocidade superior a 120 km/h em uma colisão anterior.
19/10/2026 10h46
Por: Leandro Colman

O militar do Exército Victor Vicentin Rocha, de 22 anos, afirmou que avançou o sinal vermelho por medo de ser baleado pelo motorista de outro veículo antes de atingir a motocicleta conduzida pela vigilante Miriam Rosa Matos, de 44 anos, no Centro de Campo Grande. A declaração foi feita nesta segunda-feira (19), durante a primeira audiência de instrução e julgamento do caso.

Durante o interrogatório, Victor estimou que dirigia a uma velocidade entre 60 km/h e 65 km/h no momento em que atingiu a motocicleta. Entretanto, a promotora apresentou informações de um laudo que indicaria que a caminhonete trafegava entre 121 km/h e 125,44 km/h durante uma colisão anterior com um Volkswagen Virtus, conduzido por um motorista de aplicativo.

Questionado pelo juiz sobre a diferença entre os números, o militar manteve sua estimativa de velocidade. Ele também confirmou que passou por outros sinais vermelhos durante o trajeto e afirmou que observava os cruzamentos antes de seguir.

Ao explicar por que não respeitou o semáforo no cruzamento das ruas Maracaju e Padre João Crippa, Victor alegou que temia ser atingido por um disparo do motorista do Virtus, que, segundo sua versão, o perseguia após a primeira colisão.

Consumo de álcool e medicamentos

Durante a audiência, o militar admitiu que sabia dos riscos de dirigir após consumir bebidas alcoólicas. Ao ser questionado pela assistência de acusação, confirmou que tinha consciência de que essa conduta poderia colocar outras pessoas em perigo.

Victor também relatou que fazia uso prolongado de medicamentos controlados, entre eles quetiapina e bupropiona. Questionado pelo juiz sobre a combinação dos remédios com bebidas alcoólicas, afirmou que já havia recebido orientação médica sobre os riscos.

O réu declarou que não estava bem quando decidiu assumir a direção da caminhonete. Durante os questionamentos, foi perguntado por que não solicitou que outra pessoa dirigisse, não deixou o veículo no local ou não procurou outra alternativa para voltar para casa. Na gravação do interrogatório, não apresentou uma explicação detalhada para a decisão.

Amigo confirma consumo de bebidas

Antes do interrogatório do militar, Luan Leandro Alves, amigo que estava na caminhonete no momento do acidente, prestou depoimento e confirmou que os dois haviam consumido bebidas alcoólicas naquela noite.

Segundo Luan, cerca de cinco pessoas estavam reunidas e beberam cerveja. O grupo também comprou uma garrafa de bebida destilada, mas ele afirmou não se lembrar a quem pertencia o recipiente encontrado no veículo.

O depoente relatou que o motorista do Virtus teria atingido a caminhonete durante uma tentativa de ultrapassagem e, em seguida, passado a buzinar, acionar o farol alto e gritar para que parassem. Conforme sua versão, Victor ficou assustado e continuou dirigindo por medo do outro condutor.

Luan estimou que o Virtus acompanhou a caminhonete por quatro ou cinco quadras. O juiz, porém, questionou essa narrativa ao observar que as imagens do acidente fatal não mostram o carro próximo à caminhonete no momento em que ela atinge a motocicleta de Miriam.

O amigo afirmou não saber a distância exata entre os veículos naquele instante, mas insistiu que o motorista do Virtus os seguia desde a primeira colisão.

Tratamento psiquiátrico

Luan também declarou que havia consumido álcool naquela noite e que, em sua avaliação, Victor estava mais sóbrio do que ele. Por esse motivo, disse ter permitido que o amigo conduzisse a caminhonete.

O depoente relatou ainda que Victor fazia acompanhamento psiquiátrico, utilizava medicamentos e havia sido afastado do Exército em razão de depressão. Segundo Luan, ele conhecia o tratamento do amigo, mas não o alertou sobre os riscos de consumir álcool nessas condições.

As declarações foram apresentadas durante a audiência de instrução e julgamento, etapa em que a Justiça reúne depoimentos e demais elementos para avaliar os fatos e dar prosseguimento ao processo.