Marcelo Juan Ortiz Moura, de 26 anos, sequestrado por um grupo de homens armados na madrugada desta segunda-feira (19), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, é considerado foragido da Justiça brasileira por tráfico de drogas. O ataque terminou com a morte da companheira dele, a brasileira Carolina Benites Arce, de 27 anos.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa paraguaia, Marcelo também possui documentos brasileiros em nome de Marcelo Ruan Lázaro Ortiz. A identidade alternativa está vinculada a uma ordem de recaptura expedida em um processo que tramita em Campo Grande.
O mandado foi expedido em 5 de março de 2023 pelo juiz Albino Coimbra Neto, da 2ª Vara de Execução Penal da Capital. A pendência judicial foi identificada após autoridades paraguaias verificarem os documentos associados aos dois nomes e compartilharem as informações com o Ministério Público do país.
Ataque foi registrado por câmeras
O crime ocorreu por volta das 4h, em uma residência no Bairro Obrero, em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia separada de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, por uma rua.
Segundo as informações da investigação, aproximadamente dez homens armados com fuzis chegaram ao local em duas caminhonetes Toyota Hilux SW4, uma branca e outra cinza. Os suspeitos usavam roupas táticas pretas e estavam equipados com armas de grosso calibre.
Parte do grupo permaneceu do lado de fora enquanto outros integrantes forçaram o portão da garagem e invadiram a residência. Marcelo foi retirado do imóvel à força, usando apenas roupa íntima, e colocado em um dos veículos.
Carolina também foi levada para a área externa da casa e executada com disparos na cabeça. O grupo fugiu do local levando Marcelo, cujo paradeiro ainda não havia sido esclarecido nas informações divulgadas.
Perícia identificou cinco ferimentos
O exame realizado pelo médico legista Gustavo Galeano identificou cinco ferimentos provocados por disparos de fuzil calibre 7,62 no corpo de Carolina.
Segundo o profissional, um dos tiros atingiu a região da orelha, atravessou o crânio e provocou graves lesões no rosto da vítima.
Imagens de câmeras de segurança registraram a movimentação dos suspeitos e passaram a integrar a investigação. O promotor de Justiça Emilio Álvarez, responsável pelo caso, afirmou que as gravações indicam que tanto Marcelo quanto Carolina eram alvos do ataque.
Conforme o promotor, as imagens mostram que a mulher foi derrubada por um dos integrantes do grupo antes de ser baleada. A informação diverge da hipótese inicialmente divulgada de que ela teria sido morta ao tentar impedir o sequestro do companheiro.
Polícia investiga possível motivação
Durante a perícia, os investigadores encontraram quatro cápsulas deflagradas de calibre 7,62 e duas munições intactas de calibre 5,56. Também foram apreendidos carregadores, documentos relacionados a armas de fogo, aparelhos celulares e equipamentos do sistema de monitoramento da residência.
Os materiais serão analisados para auxiliar na identificação dos envolvidos e no esclarecimento da motivação do crime.
Outra linha de investigação envolve o possível relacionamento anterior de Carolina com um homem procurado no Brasil por tráfico de drogas. Segundo informações divulgadas pela imprensa paraguaia, os investigadores receberam relatos sobre esse vínculo e apuram se ele pode ter alguma relação com o ataque.
Até o momento, porém, não foram apresentados elementos conclusivos que confirmem essa hipótese. A investigação segue sob responsabilidade das autoridades paraguaias.