Uma mulher de 36 anos procurou a Polícia Civil após descobrir uma dívida de mais de R$ 35 mil registrada em seu nome. Segundo o relato prestado à polícia, ela acreditava ter assinado um empréstimo de R$ 10 mil para ajudar o irmão, mas posteriormente descobriu que seus dados haviam sido utilizados em um financiamento de veículo.
O caso foi registrado como estelionato na segunda-feira (5), na 3ª Delegacia de Polícia da Capital.
De acordo com o boletim de ocorrência, em junho de 2024 a mulher concordou em assinar eletronicamente um documento que, segundo ela, acreditava ser referente a um empréstimo pessoal de R$ 10 mil.
A intenção seria ajudar o irmão a organizar as próprias dívidas e deixar a residência da mãe.
Por confiar no familiar, a mulher afirmou que não leu integralmente o documento antes de realizar a assinatura digital.
Posteriormente, porém, começou a receber cobranças e notificações relacionadas ao débito. Ao consultar as informações junto à instituição financeira, descobriu que havia sido registrada em seu nome uma Cédula de Crédito Bancário.
Segundo os dados apresentados no registro policial, o contrato correspondia a um empréstimo com garantia de veículo de R$ 24.541,93, dividido em 24 parcelas de R$ 1.350,01.
O veículo apresentado como garantia seria um Ford Ka preto.
A mulher também relatou que o contrato teria sido refinanciado pelo irmão em outras duas ocasiões.
Segundo ela, não houve autorização para as renegociações e tampouco foram realizadas novas assinaturas, reconhecimento facial ou outras formas de validação.
Na consulta mais recente realizada no aplicativo do banco, o valor total da dívida havia chegado a R$ 35.078,42.
O sistema também indicava R$ 3.214,01 em parcelas atrasadas para pagamento imediato.
A vítima apresentou aos investigadores capturas de conversas mantidas pelo WhatsApp com o irmão e com outro homem relacionado à negociação.
Segundo o relato registrado no boletim, as mensagens indicariam que os envolvidos tinham conhecimento do atraso das parcelas e de que o financiamento havia sido realizado utilizando o CPF da mulher.
Ela afirmou ainda que os dois teriam apresentado justificativas e prometido regularizar os pagamentos, mas a dívida continuou pendente.
O Ford Ka utilizado como garantia do financiamento, conforme informado pela vítima, estaria atualmente em um endereço localizado no Jardim Noroeste, em Campo Grande.
A mulher também relatou que o irmão deixou Mato Grosso do Sul e estaria atualmente morando no estado de São Paulo.
O caso será investigado pela Polícia Civil, que deverá apurar as circunstâncias da contratação, eventuais refinanciamentos e a participação dos envolvidos.
As informações apresentadas até o momento são baseadas no relato da vítima e no registro policial. A investigação ainda deverá esclarecer se houve fraude na contratação e eventual responsabilidade dos envolvidos.