Política VORCARO
Doação de R$ 5 milhões a Bolsonaro e Tarcísio teria origem em propina, diz Vorcaro
Ex-banqueiro afirma em proposta de delação que valores doados nas campanhas de 2022 seriam parte de um suposto acordo para manter o Credcesta no governo de São Paulo.
03/09/2026 17h28
Por: Leandro Colman

Doação de R$ 5 milhões a Bolsonaro e Tarcísio teria origem em propina, diz Vorcaro

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirma, em uma proposta de delação premiada, que os R$ 5 milhões doados às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022 teriam origem em um esquema de propina envolvendo a manutenção do Credcesta no governo de São Paulo.

Segundo o relato, R$ 3 milhões foram destinados à campanha de Bolsonaro e R$ 2 milhões à de Tarcísio. As doações foram feitas por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero.

De acordo com Vorcaro, os valores seriam “contrapartidas financeiras” após um suposto acordo com Gilberto Kassab, então apoiador da candidatura de Tarcísio e posteriormente nomeado secretário de Governo de São Paulo.

O Credcesta, cartão de crédito consignado voltado a servidores públicos, era um dos principais negócios ligados ao grupo de Vorcaro. Na versão apresentada pelo ex-banqueiro, a continuidade da operação durante a gestão Tarcísio teria sido negociada com Kassab por meio de Augusto Lima, sócio de Vorcaro e responsável pela operação do produto.

Ainda segundo a proposta de delação, o acordo previa o repasse de 5% do resultado líquido do Credcesta em São Paulo, além de contribuições para campanhas políticas do PSD e de partidos aliados.

Vorcaro afirma que inicialmente os pagamentos seriam feitos em dinheiro, mas que seus interlocutores teriam orientado que parte do compromisso fosse cumprida por meio de doações eleitorais oficiais.

Tarcísio nega

Em nota, Tarcísio de Freitas afirmou que nunca teve contato ou relação com Daniel Vorcaro e disse não ter conhecimento dos fatos relatados na reportagem.

Kassab também negou as acusações e classificou o relato como “absolutamente fantasioso”, afirmando que não há sustentação factual para as declarações. Ele reconheceu conhecer Augusto Lima, mas negou ter discutido qualquer acordo ilegal.

As acusações fazem parte de uma proposta de delação premiada e, portanto, ainda precisam ser apuradas pelas autoridades.