Polícia Feminicídio
Família diz que vítima de feminicídio planejava recomeço de vida e mudança para Santa Catarina
Parentes relatam histórico de agressões e afirmam que Adrieli estava com malas prontas para viver perto do filho mais velho
30/08/2026 22h20 Atualizada há 3 horas
Por: Leandro Colman

Uma publicação nas redes sociais feita semanas antes da morte de Adrieli Rossoni dos Santos, de 34 anos, contrastava com a realidade vivida pela vítima, segundo familiares. Preso em flagrante e apontado pela Polícia Civil como principal suspeito do feminicídio, Aparecido de Sousa Doirado, de 46 anos, chegou a compartilhar uma homenagem pública à então companheira, mas parentes afirmam que o relacionamento era marcado por conflitos, separações e episódios de agressividade.

Conforme relatos da família, Adrieli e Aparecido já estavam separados e ela se preparava para iniciar uma nova etapa da vida em Santa Catarina, onde pretendia morar próxima do filho mais velho, de 11 anos. A mudança estava programada para acontecer nos próximos dias, com casa já alugada e planos de trabalho organizados.

Prima da vítima, a empresária Caliane Kisel, de 35 anos, afirmou que Adrieli estava feliz com a perspectiva de recomeçar. Segundo ela, a decisão de deixar Campo Grande representava a oportunidade de ficar mais perto do filho e reconstruir a vida após o fim do relacionamento.

 

De acordo com a familiar, Aparecido não aceitava a separação e teria demonstrado comportamento possessivo e ciumento ao longo da relação. Ela relata que Adrieli já havia tentado se afastar em outras ocasiões, mas enfrentava dificuldades para romper definitivamente o vínculo.

Ainda segundo a família, na manhã de sábado (29), o suspeito teria enviado uma mensagem à mãe de Adrieli informando que ela estaria internada na Santa Casa. A informação levantou desconfiança entre os parentes, que passaram a procurá-la.

Enquanto o irmão buscava notícias em hospitais, a mãe da vítima foi até a residência da filha, na região do Bairro Santo Antônio. Como ninguém atendia, ela entrou no imóvel e encontrou Adrieli sem vida.

Familiares também relataram que imagens de câmeras de segurança teriam registrado o suspeito deixando o local durante a madrugada com o filho de 3 anos do casal. As informações fazem parte dos depoimentos prestados à polícia e integram o material analisado pela investigação.

Adrieli foi encontrada morta dentro da própria residência após deixar de responder mensagens e faltar ao trabalho. A perícia foi acionada para esclarecer as circunstâncias da morte e auxiliar na reconstrução dos fatos.

No mesmo dia, equipes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) localizaram e prenderam Aparecido de Sousa Doirado. O filho de 3 anos do casal foi encontrado em segurança e permanece sob proteção e acompanhamento especializado.

Além da criança, Adrieli também era mãe de um menino de 11 anos que vive em Santa Catarina. Segundo familiares, a mudança para o Estado já estava organizada e representava um novo começo para a vítima.

Abalada, a família descreve Adrieli como uma mulher alegre, dedicada aos filhos e cheia de planos para o futuro. Formada em Farmácia, ela era considerada uma mãe presente e carinhosa, especialmente com os dois filhos, ambos diagnosticados com transtorno do espectro autista.

A Polícia Civil segue investigando o caso e informou que detalhes sobre a dinâmica do crime permanecerão sob sigilo para não comprometer as apurações. Com a morte de Adrieli, Mato Grosso do Sul alcançou a marca de 25 feminicídios registrados em 2026.