Cidades Moreninhas
Homicídio reacende preocupação com abandono de antigo posto de saúde nas Moreninhas
Moradores denunciam invasões, furtos e uso de drogas em área desativada do imóvel e cobram providências
30/08/2026 22h18
Por: Leandro Colman

A morte de um homem de aproximadamente 45 anos, registrada na madrugada deste domingo (30), voltou a expor a situação de abandono de parte do antigo Centro Regional de Saúde (CRS) da Moreninha III, em Campo Grande. Moradores e comerciantes da região relatam que a área desativada do imóvel tem sido utilizada durante a noite por pessoas em situação de vulnerabilidade, além de concentrar ocorrências de furtos, consumo de álcool e uso de drogas.

A vítima foi encontrada com ferimentos na região do tórax, em circunstâncias investigadas pela Polícia Civil. Sem documentos, o homem ainda não havia sido identificado até o registro da ocorrência. O caso foi registrado como homicídio simples na Depac Cepol.

Segundo relatos de moradores, os problemas se intensificaram após a desativação de parte da unidade de saúde. Getulio Correia, de 66 anos, afirma que o espaço passou a servir de abrigo durante a noite e que o acesso ao local continua facilitado.

Conhecido na região como Palhaço Peninha, ele conta que já viveu em situação de rua e conhece a rotina do imóvel. De acordo com seu relato, uma mulher que estaria no local no momento do crime pode ter informações importantes para o esclarecimento do caso.

A sensação de insegurança também é compartilhada por Isabel Ferreira Carvalho, de 30 anos. Ela afirma que furtos de fios e outros materiais se tornaram frequentes desde que parte do prédio foi desativada.

João do Nascimento, de 72 anos, acredita que o abandono da estrutura contribuiu para o aumento da criminalidade na região. Para ele, o homicídio reforça a necessidade de medidas urgentes para recuperar o espaço e impedir novas invasões.

A comerciante Zenilda de Barros, de 40 anos, que abriu recentemente uma padaria nas proximidades, relata prejuízos causados por furtos constantes. Segundo ela, lâmpadas e fiações instaladas na frente do estabelecimento já foram levadas diversas vezes.

Moradores afirmam que o movimento na área abandonada diminui durante o dia, mas aumenta à noite. Eles cobram ações efetivas para impedir o acesso ao imóvel e evitar que o local continue sendo utilizado para permanência irregular e consumo de entorpecentes.

Em nota, a Prefeitura de Campo Grande informou que a vítima foi encontrada na área externa da unidade e não dentro da estrutura abandonada. O município destacou ainda que já realizou intervenções para restringir o acesso ao local, com instalação de tapumes e barreiras físicas, mas que os equipamentos vêm sendo constantemente danificados.

A administração municipal acrescentou que o imóvel integra o planejamento da prefeitura para futuros projetos e que as circunstâncias do homicídio estão sendo apuradas pelas autoridades responsáveis pela investigação.