O policial penal Antônio Fernando Martins da Silva, investigado na Operação Rota Blindada, é suspeito de ter recebido R$ 50 mil para transportar cerca de 400 quilos de drogas em uma viatura oficial, no mês de janeiro deste ano. À época, ele comandava o Grupo Tático de Escolta (GTE), ligado ao Cope (Comando de Operações Penitenciárias) da Agepen, em Campo Grande, e acabou sendo afastado da função.
Antônio está preso desde fevereiro, quando foi deflagrada a primeira fase da operação, que apontou o uso da estrutura pública para o transporte de entorpecentes no esquema conhecido como “frete seguro”. Ele é um dos oito alvos da segunda fase da investigação, cumprida nesta sexta-feira (17).
De acordo com as apurações, a droga teria saído de Corumbá com destino a Campo Grande, sendo transportada de forma disfarçada dentro do veículo oficial, prática conhecida como “cavalo doido”, quando o material é espalhado no interior do automóvel para dificultar a identificação.
Parte da carga foi apreendida pela Polícia Militar no dia 24 de janeiro, no distrito de Indubrasil. No entanto, um 3º sargento da PM também passou a ser investigado por suspeita de desviar mais de 50 quilos de maconha do tipo ICE. A suspeita é de que, após receber informações sobre a chegada da droga, o militar tenha acionado uma equipe e ido até o local em um veículo particular, participando da abordagem.
Durante a ação no galpão, ele teria retirado parte da droga, além de tabletes de pasta-base. Os policiais envolvidos na ocorrência são alvo de investigação da Corregedoria para apurar possível participação no desvio. Um vídeo gravado pelos próprios traficantes durante o descarregamento indicaria que havia cerca de 400 quilos no local, enquanto a apreensão oficial registrou pouco mais de 300 quilos.
As investigações também resultaram na apreensão de bens utilizados na logística do tráfico, como veículos e uma motocicleta. Em Corumbá, foi localizado um barco de luxo avaliado em cerca de meio milhão de reais, pertencente a um dos investigados.
A Operação Rota Blindada, iniciada em fevereiro, apura a atuação de uma organização criminosa voltada ao tráfico de drogas entre Corumbá e Campo Grande, com a utilização de viaturas oficiais para reduzir o risco de fiscalização. Já o sargento da PM foi preso nesta semana durante a Operação Lealdade Corrompida, que investiga o roubo de entorpecentes na Capital. Além dele, outras pessoas foram detidas, enquanto um suspeito segue foragido.