
O Hospital Cassems, em Campo Grande, tem ampliado o uso de técnicas avançadas que combinam tecnologia de ponta com cuidado altamente especializado ao paciente. Entre os procedimentos realizados recentemente está a craniotomia com o paciente acordado — método que chama atenção pela complexidade e precisão. A cirurgia foi conduzida pelo neurocirurgião Paulo Henrique Zanin e teve resultado positivo. Uma nova intervenção semelhante já está prevista para os próximos dias.
Diferente das abordagens tradicionais, manter o paciente consciente durante parte da cirurgia não é apenas uma escolha técnica, mas uma estratégia essencial para reduzir riscos. O procedimento é indicado principalmente quando a lesão está localizada em áreas cerebrais responsáveis por funções fundamentais, como fala e movimentos. O objetivo é retirar o máximo possível da lesão, preservando ao máximo essas capacidades.
Segundo o especialista, o cérebro possui uma organização única, que varia de pessoa para pessoa. Ao contrário de outros órgãos, as regiões responsáveis por funções específicas podem mudar de localização. Por isso, em casos que envolvem a linguagem, é fundamental contar com a participação ativa do paciente durante o procedimento.
Para garantir precisão, a equipe utiliza a neuronavegação — tecnologia que funciona como um “GPS” do cérebro. Com auxílio de uma ponteira a laser, os médicos conseguem localizar a área afetada com extrema exatidão em tempo real, reduzindo a manipulação desnecessária do tecido cerebral.
Outro elemento essencial é o monitoramento realizado pela neurofisiologia. Durante a cirurgia, especialistas acompanham continuamente as respostas do sistema nervoso por meio de exames específicos, avaliando possíveis alterações enquanto o procedimento acontece.
A neurofisiologista Nathalia Cristaldo explica que esse acompanhamento permite identificar rapidamente qualquer sinal de comprometimento neural, possibilitando ajustes imediatos na abordagem cirúrgica.
Durante o procedimento, o paciente interage com a equipe por meio de testes cognitivos e de linguagem realizados com auxílio de tablets. São avaliadas habilidades como fala, compreensão, repetição e associação de ideias.
Caso haja qualquer alteração nas respostas, a equipe médica é informada instantaneamente, permitindo redirecionar a atuação cirúrgica para preservar funções essenciais.
Apesar de causar estranhamento à primeira vista, o método é seguro e confortável. Isso porque o cérebro não possui terminações nervosas sensíveis à dor. O paciente recebe anestesia nas camadas superficiais e permanece consciente, porém sem desconforto significativo.
Esse modelo de abordagem contribui diretamente para uma recuperação mais rápida, menor tempo de internação e melhores resultados no pós-operatório.
A adoção frequente desse tipo de procedimento reforça o posicionamento do Hospital Cassems como referência em medicina de alta complexidade em Mato Grosso do Sul. O sucesso das cirurgias depende de uma atuação integrada entre diferentes profissionais, incluindo neurocirurgiões, anestesistas e especialistas em neurofisiologia, além de uma estrutura tecnológica avançada.
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