
Filho de subtenente morta faz desabafo e pede que mãe não seja julgada nas redes
O advogado Marcus Rodrigues usou as redes sociais para se posicionar diante da repercussão da morte da mãe, a subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos. A policial foi assassinada a tiros dentro de casa na tarde de segunda-feira (6), no Conjunto Habitacional Estrela Dalva, em Campo Grande.
Na publicação, Marcus criticou o que chamou de “julgamento da internet”, destacando que a mãe vem sendo apontada por ter se relacionado com um homem com histórico criminal. Ele afirmou que sentiu a necessidade de se manifestar diante dos comentários.
“Minha mãe não é apenas mais um número nas estatísticas de feminicídio”, escreveu. Segundo ele, a presença de diversas pessoas até o fim do velório demonstra o impacto positivo que Marlene teve na vida de quem convivia com ela.
O advogado relembrou o perfil acolhedor da mãe, descrevendo-a como alguém que ajudava pessoas, levava alegria e fazia a diferença na vida de muitos, sem distinção. Ele também contou que, nos últimos anos na corporação, Marlene se dedicava a visitar colegas aposentados, orar com eles e oferecer palavras de conforto. Em casa, realizava encontros religiosos e recebia a todos de forma aberta.
No desabafo, Marcus também abordou o comportamento de pessoas com traços narcisistas, afirmando que esse tipo de perfil costuma agir de forma manipuladora e gradual. Segundo ele, esse processo envolve desgaste emocional, isolamento da vítima e aproveitamento de momentos de vulnerabilidade — como o período em que os filhos já haviam saído de casa.
“Foi um processo minucioso até chegar a esse desfecho”, afirmou. Ele ainda ressaltou que pessoas que já passaram por situações semelhantes podem compreender melhor o que descreve.
Ao final, fez um apelo para que a mãe não seja responsabilizada pela própria morte. “É fácil julgar do outro lado da tela e pensar que nunca cairia em uma situação assim”, escreveu.
Marcus também incentivou que as pessoas estejam atentas e ofereçam ajuda a quem possa estar vivendo relacionamentos abusivos. “Agora, ficam apenas os ‘e se’”, concluiu.
O caso
A subtenente Marlene de Brito Rodrigues foi baleada dentro da própria residência ao retornar para o almoço. O namorado, Gilberto Jarson, de 50 anos, foi preso em flagrante e é o principal suspeito do crime, investigado como feminicídio.
Um policial que entrou na casa após ouvir o disparo encontrou o homem ao telefone, com a arma na mão e manchas de sangue. De acordo com o registro, ele realizou ligações para a Polícia Militar, para um familiar e para um advogado logo após o ocorrido.
Marlene ainda apresentava sinais vitais quando foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. No local, foram apreendidos um revólver calibre .38 e a pistola institucional da subtenente.
O suspeito apresentou versões contraditórias sobre o caso. Inicialmente, disse não ter visto o disparo. Depois, afirmou que tentou impedir o tiro, levantando a possibilidade de resíduos de pólvora em suas mãos.
Moradores da região relataram que o casal tinha discussões frequentes e que já haviam presenciado episódios de gritos e pedidos de socorro. Este é o nono caso de feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul neste ano.
Histórico do suspeito
Gilberto Jarson possui antecedentes criminais que remontam à juventude. Em 1994, aos 18 anos, foi indiciado por homicídio. Anos depois, passou a responder por diversos casos de roubo, incluindo situações com invasão de residência e vítimas mantidas reféns.
Em 2009, também foi citado em investigação por formação de quadrilha, atualmente enquadrada como organização criminosa. Já em 2016, surgem registros de violência doméstica e ameaças.
O caso segue sob investigação.
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